Gosto de viajar. Lá isso eu gosto. Mas não sou como certas pessoas que colecionam viagens como fossem selos, ou rolhas dos vinhos que bebem. Gente que faz lembrar, mal comparando, aqueles cangaceiros que para cada morte cometida fazem uma marquinha no cabo da carabina. A Marilda, por exemplo, minha ex-mulher, era capaz de visitar variados países em única viagem e voltava sem conseguir dizer que língua se falava ali, qual a religião predominante, as comidas mais apreciadas, as manias do povo de lá. Tem gente que acha que isso não tem nada a ver, que o importante é conhecer os lugares, ver os monumentos, as montanhas, os lagos, andar de trem-bala, visitar lojas, rezar em uma dúzia de igrejas. Mas para mim tem tudo a ver, sim, conhecer as coisas mais entranhadas, profundas, que só podem ser apreciadas através do contato direto com as pessoas, seus modos de levar e ganhar a vida, seus botequins, seus mercados e suas barbearias. Às vezes até entrar dentro das casas, onde a vida de fato é vivida, o que dá trabalho, porque isso a gente só faz se conseguir se libertar dos terríveis personagens dos guias turísticos, mas vale a pena.
Não foi por acaso que eu e a Marilda deixamos de ser um casal e eu até reconheço que depois que nos separamos eu passei a viajar menos, mas não foi só por ela, foi mais pela falta dela, porque não gosto de viajar sozinho, apesar dos pesares. Além do mais, quando ouço falar do horror que tem sido a passagem atual pelos postos de imigração e alfândegas nos aeroportos pelo mundo a fora, lugares onde impera a burocracia e a discriminação contra nós terceiro-mundistas, meu desânimo aumenta.
Mas na verdade tenho encontrado uma compensação para isso: descobrir o Brasil, com o perdão pelo lugar-comum. Sim, é isso mesmo, o Brasil das profundezas, dos sertões, dos interiores, aquele território enlameado ou empoeirado, mal ajeitado, meio ignorante, e gente às vezes crédula e às vezes desconfiada a troco de nada, e que além do mais fala um português estropiado. Vai aí, é claro, um desafio à paciência e à generosidade da pessoa, que é o de incorporar o que se apresenta como defeitos ou erros e transformá-los em qualidade e diversão. Isso não é tão difícil e nem tão constrangedor como parece; acaba sendo realmente divertido e ilustrativo.
Por exemplo?
Acabo de chegar de um desses périplos pela poeira, melhor dizendo, desta vez pela lama – e pelos buracos. Fui dar um giro de uma semana pelos vales e chapadas aqui das cercanias da capital. Tinha tudo para dar errado e até certo ponto deu errado mesmo, porque eu ia tranquilo por uma estrada quase dissolvida em água barrenta e quando me dei conta tinha caído em uma valeta, o que fez meu carro parar, morrer, não dar mais sinal de vida. Sorte minha que havia sinal de celular e eu rapidamente consegui fazer contato com a seguradora, que me prometeu enviar o guincho, embora com um provável lapso de quatro horas, ou talvez mais um pouquinho. Sorte minha realmente, até porque não havia outra opção a não ser esperar: fazer o quê?
Eu ainda estava ali coçando a cabeça, tentando imaginar alguma distração que me ajudasse na espera, já meio atormentado pelos borrachudos, quando vi um sujeito, pelo jeito um morador das proximidades, montado em uma bicicleta, vindo em minha direção. Não pensei em carona, claro, nem em qualquer tipo de ajuda; não pensei em nada, na verdade, afinal que eu poderia esperar de um roceirinho montado como aquele? Eu não lhe fiz qualquer gesto ou sinal, talvez mal lhe estendesse um mero e formal boa-tarde. mas mesmo assim ele parou junto a mim.
– Uai moço, deu pobrema aí com seu carro?
Era um sujeito de uns sessenta anos, rijo como ele só, vestido à maneira universal do Brasil do interior: camiseta regata, bermuda e chinela havaiana – um pé de cada cor. Na falta de outra coisa a fazer, mas também porque tenho simpatia por este tipo de gente, assim comunicativa (desde que não seja em exagero…), dei corda a ele, como se diz.
– Pois é, deu ruim…
– O senhor vai precisar que empurra?
Achei graça na boa vontade dele e expliquei que esses carros modernos, automáticos e super tecnológicos, são absolutamente incólumes a empurrões e outros jeitinhos comuns, que tão bem valiam para os veículos mais antigos, mas que nas máquinas atuais não adiantam de nada. E que, além do mais, já tinha feito contato com a seguradora, etc., mas que carecia ter um pouco de paciência porque ia demorar. Ele, muito gentil, falou que se eu precisasse de alguma coisa, sua casa estava logo ali adiante, quem sabe eu queria chegar até lá para beber uma água, um café, uma coisa assim. E mais ainda que, se brincasse, podia ter até um pão de queijo que Dona Zefa tinha feito ainda hoje cedo. Dona Josefa, descobri logo, era sua esposa. E ele era o Altamiro.
A princípio eu não queria deixar o carro à beira da estrada, mas como a conversa, ao contrário do carro, ganhasse tração, tranquei as portas e fui com ele. Sua casa ficava perto mesmo, coisa de um km ou menos, aliás, podia até ser vista do local onde estávamos. E a prosa já começou ali mesmo, no caminho, ele montado na bicicleta, pedalando bem devagar, para que eu o acompanhasse a pé.
Fiz-lhe a pergunta clássica, se ele era dali mesmo. Nem precisei fazer muitas outras, ou fiz apenas pequenas intervenções, por que se seguiram duas ou três de horas de prosa, durante as quais eu mais uma vez me convenci que as minhas tais viagens sertanejas eram realmente uma inusitada fonte de surpresas. Tive também um sentimento, legítimo, de que estar ali com o carro enguiçado poderia ser muito melhor e mais interessante do que ralar numa baita fila em um aeroporto como o de Lisboa, como eu, aliás, experimentara em minha última viagem à Europa, na ilustre companhia de Marilda.
Não, ele não nascera bem ali, mas num povoado distante uns 40 km, no alto da chapada divisada ao longe. O pai viera de longe, da parte sul do estado, mas se refugiara ali no longínquo noroeste, por questões de briga política, da qual ele nem mais sabia exatamente de detalhes. Ali, desde a infância, fosse ajudando o pai ou por conta própria, sua lida era com o gado. Criar, tratar, engordar, vender, comprar, matar, carrear. Nisso aí estava incluída, também por herança paterna, o manejo de carros de boi, o que lhe levara a muitas viagens, até bem longe dali.
Ainda se lembrava da chegada do primeiro caminhão na região, em sua infância. O vale era um lugar esquecido, quase inacessível e assim fora por tempos e tempos. Tudo mudara, entretanto, nos últimos 50 anos, com a construção da nova capital. A compra e a venda de fazendas, por exemplo, com a chegada de gente de fora, de longe, paulistas e gaúchos, principalmente. Era um tempo em que alguém comprava nada mais do que dez alqueires de terra, mas escriturava quinhentos, ou mais. E com isso vieram as contendas fundiárias e também o manuseio intensivo do gado, sempre à frente e com mais pujança do que a agricultura, essa aí reservada apenas para o sustento local, de famílias agregadas às grandes fazendas.
Sim, havia muita mata por ali, demais mesmo. Árvores enormes, fornecedoras de muita madeira, toda ela consumida, no princípio, por ali mesmo, em currais casas e móveis, até que vieram as estradas e os caminhões, frutos da construção da nova cidade, quando ela começou a ser mandada em grandes quantidades para fora. Mas mesmo assim ainda sobrou muita floresta por ali. E ele se orgulhava de participar da vida do lugar, como peão, condutor de carro de boi, negociante de gado, agricultor, sindicalista, e até mesmo, nos dias de hoje, como “agente ambiental”, embora isso aí talvez fosse tarefa autoatribuída e também voluntária. Mas ele demonstrava estar alerta a tais questões e achava que, quanto a isso, o pior já tinha passado, não só pela atuação de pessoas como ele, preocupadas com o assunto, como também porque os fazendeiros agora respeitavam mais a lei, além de que, por via das dúvidas, a polícia florestal se fizesse mais presente em tempos recentes.
Bicho naquela mataria? Claro que sim! Muito lobo, capivaras, onças, veados e de vários tipos, além de outros mais. Para não falar dos que voam ou nadam nos rios! Caçar ainda era coisa comum e a alimentação daquela gente sempre tinha um pernil ou umas almôndegas de carne de bicho do mato na mesa.
Onças? O povo fala muito, mas não conhece elas de verdade. Tem muitas ainda, por aí, nos matos. São cheias de manha, só elas mesmo se entendem. Por exemplo, não gostam de gente magra, parece que se irritam com esses aí, já com os mais cheios de carne, tudo bem, respeitam mais. Mas nunca teve notícias que alguma delas tenha atacado uma pessoa humana, de verdade. O mais que fazem é pegar uma galinha nos quintais, vez ou outra, mas há notícias também de bezerros ou potrinhos de leite, mas é raro. Agora, coisa que ninguém sabe lá na cidade é que onça é doida por música! Se deixar um rádio ligado ou uma vitrola tocando elas ficam bestando por ali e assim costumam passar a noite inteira. – Eu já vi e sei.
Ah, esses matos. – Aqui, até as ‘barbuletas’ me divertem! Tem muita planta medicinal, também. Precisavam estudar isso melhor. Cada pedaço de mato é uma farmácia completa! Passou a infância e viu seus irmãos, parentes, vizinhos, todo mundo enfim, escapar das doenças bravas que havia por aqui, antes de ter farmácias e doutores, curados pelas plantas medicinais, muitas das quais hoje em dia ninguém conhece mais. Ainda hoje ele tem muita fé nelas e acredita que ainda está vivo e forte pelo auxílio que essas plantas lhe trouxeram e continuam trazendo.
Vivo e forte, sim, com certeza. O trabalho do sítio, com o gado, as galinhas, uma rocinha, até que não é nada, perto do que ele ainda é capaz de fazer, por exemplo, guiar uma tropa de gente uma vez por ano numa espécie de romaria pelo sertão, seguindo os passos, segundo diz o Paraca, um amigo ele, que orienta essas jornadas, de personagens do tal livro do Grande Sertão, de Guimarães Rosa, que segundo ele já andou por ali. Fora isso, ainda é bem capaz de circular por toda parte em sua velha bicicleta, pesadona, bem diferente dessas modernas, leves, feitas de alumínio e com engrenagens de marcha.
Vida movimentada a dele. Foi também funções sindicalista, representando trabalhadores rurais, gente como ele, não os fazendeiros, fez questão de frisar. Aliás, me disse que essa questão de disputa por terra atualmente andava mais calma por ali, mas já foi barra pesada, com gente morta na beira dos caminhos, achados depois pelos urubus. Teve casos que os fazendeiros simplesmente mandavam matar aqueles que eles por acaso desconfiassem que estavam invadindo terras que na verdade muitas vezes eram pedaços já ocupados pelos primeiros, em legítimo usucapião, por anos a fio. E diziam: – esses ‘comunistas’ aí vão acabar acordando em algum meio de pasto com a boca cheia de formiga, se continuarem nessa papeata.
De comunista havia sido ele próprio acusado, inclusive dentro de sua própria família. O sogro, por exemplo, chegou a lhe alertar que devia moderar sua atuação sindical, ou mesmo abandoná-la, repetindo a ameaça de ainda vê-lo com a boca cheia de formigas, ou então comendo capim pelas raízes. Em festas e outros eventos da comunidade sempre havia alguém a comentar em voz alta, para que ele ouvisse: – eita, tem comunista aqui no nosso meio! Ou então, alguma coisa como: – pra comunista eu tenho uma flobezinha lá em casa, referindo-se a um tipo de carabina. Num arroubo de valentia ele emendava: – se é assim eu morro feliz, por estar cumprindo coisas em que acredito.
Mas ia além disso, ao me afirmar que na verdade a comunidade devia muito a ele e ao sindicalismo, porque seu crescimento foi muito incentivado pelo movimento dos trabalhadores rurais, o que talvez não fosse algo fácil de se comprovar, dada a pujança do agronegócio ali por aquelas bandas. Mas a convicção e o brilho nos olhos que ele mostrava ao falar disso, por si só, me fizeram valorizar aquilo, em um ambiente onde a dominação dos donos do capital e de terra era dominante.
Como prometido em certo momento da conversa deu início ao tópico dos carros de boi, cuja habilidade de condução ele herdara do pai. Primeiro veio uma longa e curiosa dissertação sobre as peças componentes de tal artefato, uma narrativa surpreendente, pois alguém que está por fora de tal assunto, como eu mesmo até então, não seria capaz de imaginar que aquela estrutura tão pesada, grosseira e aparentemente linear, pudesse conter tantas e tão variadas peças como chaveta, orelha, arreias, cambota, chumaço, cabeçalho, cocão, arneira, oca, recavém, além da roda e do eixo, é claro. Cada uma delas requerendo ciência própria para ser montada ou conservada, coisas que ele teria aprendido a fazer de olhos fechados. Fui informado ainda que havia carros de boi de um ou de dois eixos, puxados por bois individuais, juntas de dois, quatro e até mais animais. Saí dali ilustrado em tal assunto.
Neste tópico, ele fez uma narrativa épica, digamos assim, de uma viagem que fizera com o pai e camaradas, ainda na infância, com o traslado de uma carga a uma localidade relativamente próxima, mas nem tanto, uns 50 km mais adiante, a que ele denominou Bonfim, que creio ser a atual Bonfinópolis. Foram levar ali cereais de produção local para trazer coisas manufaturadas, vindas lugares ainda mais distantes, chegadas até ali no lombo de caminhões. Viajaram durante vários dias para chegar ao destino e outros tantos para a volta, iniciada de imediato, tão logo tiveram a carga devidamente ajeitada nos dois carros que levavam. Aí entra a parte mais empolgante, porque era tempo de chuvas e a travessia de algumas das passagens por córregos era feita em vaus, ou seja, através dos próprios cursos d’água, por ausência absoluta de pontes, mesmo precárias. Assim é que o grupo se adiantou em relação aos parceiros e em uma dessas travessias, vendo o tempo se fechar, o pai determinou que seguissem sem demora, pois em pouco tempo isso seria impossível, mesmo a custa de deixar os companheiros para trás. Foi exatamente o que aconteceu, com as águas subindo mais de três metros, o que não impediu, entretanto que eles aguardassem os demais em uma colina mais à frente, obrigando-se, mais tarde, a dar socorro aos parceiros e lamentar as perdas de carregamento, o que incluía rearranjar a carga e reorganizar a disposição dos bois nos cabeçalhos, eis que tinham sido soltos para se alimentarem e descansarem da jornada. Tudo isso ao custo de dois dias inteiros de retardo nos planos da viagem e a perda de vários objetos transportados.
–E tem gente que ainda acha que não houve progresso nenhum por aqui – comentou. A última viagem do pai, numa empreitada assim, ocorrera ainda nos anos setenta.
Ainda falando de viagens, me contou de um acontecimento ocorrido na vinda primordial de sua família para a região, que obrigava a passagem pelas terras de um fazendeiro conhecido pela hostilidade e pelos crimes de morte que carregava nas costas. Seu pai, que era um homem e destemido e principalmente ligado em barganhas, teria comentado na ocasião: – pois deixa comigo que eu quero conhecer esse sujeito aí, quem sabe temos coisas a negociar… Dito e feito, foi recebido pelo ferrabrás com toda reserva, ele cercado de capangas e o pai sozinho. Saíram dali, entretanto, apalavrados em relação à compra de bezerros e até de um boi de carro, num ambiente de distinção e respeito. E Altamiro se ria feliz, gabando a sabedoria e a coragem do velho.
Ah, a construção da capital… Aquilo fizera tudo mudar na região, como nunca havia acontecido antes. Muita gente foi embora, e mais ainda chegou. O pai, sempre atento aos negócios, soubera tirar partido daquilo, junto com a família. Comprara um caminhão e ganhara algum dinheirinho com aquilo, carregando areia, madeira, gêneros e até mesmo gente, numa espécie precursora de turismo, porque muitos ali queriam apenas conhecer a novidade que era a construção da nova capital, voltando de imediato à terra natal. Altamiro mesmo tentou ir morar lá, mas resistiu na decisão por poucos meses, chegando à conclusão que seu lugar e sua vida deviam acontecer ali mesmo, na mexida com o gado, nas catiras, tendo a seu lado os amigos de sempre.
Por mais de uma vez Altamiro afirmou com orgulho que ser sertanejo como ele não significava ignorar o mundo. Pelo contrário, ele fora uma vez até São Paulo e por lá andara como se já conhecesse a cidade. – É só uma questão de saber perguntar e ter o sentido nas coisas, foi o que me disse para esclarecer seu feito. E acrescentou que sabia ler até bem, entendia tudo o que estava escrito. Sua dificuldade era em escrever, porque toda vez que tentava lançar alguma palavra no papel acabava em dúvida se ali estava sobrando ou faltando alguma letra. E mais: que para ele, a maior glória era a de ter filhos que dominavam a leitura e a escrita, tendo uma de suas filhas até cursado faculdade.
A lida com gado era certamente uma atividade árdua, que envolvia compras de bezerros à distância, seleção e manejo de reses, enfrentamento de tempestades e calorões ao ar livre e o que era pior, o trato com os vendedores, nem sempre gente educada ou honesta. Mas isso ele aprendera e dominava com profundidade e sutileza. É bem verdade que havia alegrias também em tal mister, como, por exemplo, as cantorias e chistes que os tocadores das boiadas vinham aprontando pelos caminhos do sertão, debicando uns dos outros ou mesmo fazendo gracejos com quem passava, em especial as moças. E Altamiro conhecia um feixe inteiro de tais ditos, fazendo questão de recitar para mim alguns deles. Neste momento, a contação de histórias virou audição musical ou, pelo menos, poética, ao se lembrar também de outros versos, originários das festas no Sertão.
– Urucuia, terra de boa pamonha, de muita mulher bonita e de homem sem vergonha. Tem bom café e biscoito, e bala de trinta e oito. […] É hora de ir embora, pras moças o meu abraço, os homens eu corto na espora…
Conclamou, depois de uma intervenção minha: as pessoas das cidades deviam de conhecer isso aqui, o Sertão, aonde ainda tem muita mata, muita cachoeira, muita preservação! Depois, suspirando, com maior sentimento e emoção: – o sertão mora dentro de mim…
As horas passavam, eu sentia alivio e alegria de estar ali com Altamiro e Josefa, um louro na gaiola e ouvindo as galinhas cacarejarem na porta, mergulhado naquela prosa sem compromisso, regada a café e broas de milho, apesar das muriçocas e da demora do socorro. Muito melhor, com certeza, do que estar em alguma fila de aeroporto estrangeiro, e ou em algum museu para ver a Maja Desnuda ou a Mona Lisa, na fila da Capela Sistina, ou na visita a algum mosteiro não-sei-das-quantas.
Até que o guincho chegou. Eu, de bom grado, ficaria mais tempo por ali. Aliás, mesmo antes de sair, eu já estava com saudade do Altamiro, da broa de milho e do requeijão da Dona Josefa, e até dos borrachudos. E aliviado por não ter que entrar em alguma fila e pagar ingresso para aproveitar tudo aquilo.
E viva o Brasil profundo, tão feio e tão bonito, errado e certo ao mesmo tempo…
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