A Natureza em Brasília (V): Pau Ferro & Cia

Aqui em Brasília ele está por toda parte, talvez em todas as quadras do Plano Piloto e também fora dele, sem exceção. Uma baita árvore podendo chegar facilmente a 20 ou 30 metros de altura. Suas flores não são propriamente notáveis, confundindo-se muitas vezes com outras plantas do mesmo grupo, como o Pau Brasil, a Canafistula, o Guapuruvu e a Sibipiruna (depois falaremos delas). É super cosmopolita este indivíduo, fazendo parte da mata atlântica, da floresta amazônica e da caatinga. Não vale a pena entrar em debate sobre sua taxonomia, porque ela parece complicada à beça, havendo muitas espécies que recebem tal denominação. Para os efeitos de nossa conversa chamemo-lo de Libidibia ferrea, já tendo também sido conhecido como Caesalpinea ferrea.Este é o tio mais comum aqui. Uma variedade aproximada é chamada de Jucá, de porte menor e com galhos mais retorcidos. Ao redor do Pau Ferro o chão, em certa época do ano, fica coberto pelas suas vagens secas e duras. O nome vem, naturalmente, da dureza de sua madeira. Voltando a nossa cidade, é digna de nota a aleia deles que existe na 115 Norte, às margens da via W1, aquela rua interna entre as 100 e as 300 – todos aqui sabem, não?  Ali existem algumas dezenas dessa árvore, plantadas formando fileiras paralelas. E é ali que se realiza o espetáculo de hoje, tendo como foco apenas certa parte de tal planta, considerando que suas folhas e flores não são de chamar muita atenção. De onde vem, então, esta atração? De seu tronco, que se descama em variegados tons de vão do castanho escuro ao branco-amarelado, fazendo como se fosse aqueles tecidos usados nas camuflagens militares. Para o show de hoje não vou gastar mais palavras, mas sim ir direto às imagens. Vejam a seguir.      

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Era e não era: agruras na vida de Flácido Beocionero

Quando eu fazia a 4ª série do Grupo Escolar Francisco Sales, em Belorizonte, fui escalado pela minha professora para declamar, na festa junina daquele ano, um poema cômico, que começava com a frase Era e não era e se desenrolava com uma série de imagens satíricas e verdadeiramente contraditórias e surrealistas. A frase de abertura ficou na minha cabeça, por todos esses anos, quase 70 na verdade. Recentemente a milagrosa internet, municiada com apenas essas quatro palavras, me trouxe o tal poema de volta e assim descobri que ele era da lavra de um cidadão de Piracicaba, Tales de Andrade, tendo sido escrito em dialeto caipira nos idos de 1918. Não resisti, assim, em criar esta sátira sobre fatos atuais aproveitando este jeitoso oxímoro: era e não era. A seguir vai o poema original.

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Segundas Histórias de Segunda Mão

O criminoso volta à cena do crime… Há algumas semanas lancei uma primeira série de tais histórias (Histórias de Segunda Mão – Vereda Saúde) e agora reincido. Sim, são mais uma dezena textos que representam um uso em segunda mão de autores que já fazem parte de um patrimônio universal, o que certamente me isentaria de pagar contas à justiça. Quanto ao possível abuso com relação ao pessoal da tal Primeira Mão, não tenho como me defender, pelo contrário, até me arrisco a gerar provas a me incriminar. Então fica por isso mesmo… Aqui vão mais alguns escritos de tal extração, que demonstram que não só não me arrependi da minha ousadia anterior como decidi ampliá-la, incluindo nessa série coisas tão diversas como uma lenda medieval; romances modernistas e românticos, brasileiros e estrangeiros; fábulas de La Fontaine; além de Simone du Beauvoir e Carlos Drummond de Andrade.

Fui… Antes que alguma polícia literária me alcance…

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Fazer literatura…

“Fazer literatura” … Em outros países o desocupado caça, pesca, joga o murro. Aqui beletra. Rima sonetos, escorcha contos ou tece desses artiguetes inda não classificados nos manuais de literatura, onde se adjetiva sonoramente uma aparência de ideia, sempre feminina, sem pés e raramente sem cabeça, que goza a propriedade, aliás preciosa, de deixar o leitor na mesma.” (Monteiro Lobato). Continuar lendo Fazer literatura…

SUS, o santo de casa que não faz milagre

Criança, em BH, me lembro da história de um vizinho de bairro, o qual, gerente da Cia. Antarctica, mas apreciador da cerveja Brahma, passava por apuros sérios quando queria saborear sua favorita, pois não poderia ser visto, em hipótese alguma, cometendo tal tipo de infidelidade, ao mesmo tempo profissional e etílica. Lembrei-me da história ao ler na mídia que o servidor da saúde do DF, como, aliás, já acontece em outras paragens do Brasil, não precisará mais usar o SUS. Em outras palavras, SUS apenas para “os outros”, o povo, os comuns, os não-ungidos… Eis que agora, por obra do Governador que se despede, a turma do GDF terá seu próprio plano de saúde. Deduzo, então, que aquele lugar onde se trabalha, assim como no caso da cervejaria rival, não dispõe da confiança de quem ali presta serviços. “O que eu faço para os outros não é o bastante para mim” – para mim é clara a mensagem. Continuar lendo “SUS, o santo de casa que não faz milagre”

O que fazer com aquele amigo que vota em Bolsonaro?

Em primeiro lugar, como dizia Vinicius de Moraes, “melhor não tê-los…” Mas uma vez tendo-os, o que fazer? Para esgotar logo a parte pior, como todo mundo abriga um pequeno bolsonaro dentro de si, começo por ele, usando ele contra ele mesmo. Vou conjugar e fazer valer (mentalmente…) aqueles verbos que fazem parte do vocabulário habitual do coisa-ruim, de seus filhos e demais asseclas: torturar, … Continuar lendo O que fazer com aquele amigo que vota em Bolsonaro?

Mensagem 2017

Aos amigos e leitores deste blog encaminho esta mensagem, coletada no grande Fernando Sabino. Dedico-a, especialmente,aos que estão envelhecendo (como eu…), para os que já envelheceram, para os que ainda vão envelhecer e, principalmente, para os que pensam que NUNCA irão envelhecer…  <<PARA encerrar o ano não há como não transcrever na íntegra esse poema (ou oração) que me caiu nas mãos, cuja origem se perde … Continuar lendo Mensagem 2017

1964

Naquele abril de 1964, em Belo Horizonte e em muitas outras cidades do país, as aulas foram paralisadas e as ruas tomadas por tanques e uniformes verde-oliva. Eu, por força de estar há quatro anos no Colégio Estadual “Central”, já estava comprometido radicalmente com o contrário daquilo tudo. Às vésperas do golpe, eu e dois amigos de ingênua militância havíamos recebido a incumbência, sabe-se lá … Continuar lendo 1964