Eu não estou feliz, quero morrer…

Esta declaração é do cientista inglês David Goodall de 104 anos, que optou por um suicídio assistido para ir embora dessa vida, há poucos dias atrás. Para mim, esta foi uma decisão não só muito corajosa como muito lúcida. Um dia a vida perde a graça mesmo, e as pessoas têm o direito de se indagar: o que ainda estou fazendo aqui, fraco, inútil, cheio de dores, dando trabalho para os outros, esgotando as reservas de paciência e de dinheiro de minha família? E aí vem a medicina, quando não o Estado e dizem: não pode! Tem que aguentar aqui, até o fim, sofra o que sofrer. Queira ou não queira.

De minha parte, tenho tentado me precaver quanto a algo assim. Continuar lendo “Eu não estou feliz, quero morrer…”

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Sei que é pouco, mas é isso que os acontecimentos atuais me ensinaram…

1.       Todos são iguais perante a lei, mas é impossível não pensar que alguns parecem ser mais iguais do que os outros, como já dizia George Orwell. 2.       Ele, “o cara”, definitivamente não é um santo e o inferno deveria estar repleta de gente como ele, embora não seja esta a regra do momento – o inferno só vale para alguns escolhidos a dedo. 3.       … Continuar lendo Sei que é pouco, mas é isso que os acontecimentos atuais me ensinaram…

Crepúsculo de deuses

sonia_fleury_mg_6976Uma petição me chega pela internet, anunciando a demissão (março de 2018) de Sonia Fleury, na Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, após 35 anos de trabalhos na instituição. Deploram que era ela a “professora mais produtiva da Ebape” e que formou em seus anos de trabalho “incontáveis gestores, acadêmicos, militantes políticos, por meio de suas aulas e da orientação de monografias e teses”, tendo ainda “contribuição fundamental na construção da democracia brasileira, como formuladora do desenho do SUS”. A demissão de Sonia Fleury é então considerada “mais uma ação da FGV no sentido de destruir a Administração Pública e cercear o pluralismo e o debate de ideias na escola”. Pergunto: será isso mesmo? Continuar lendo “Crepúsculo de deuses”

Dramas sanitários: entre o banal e o trágico

HISTERIAGosto de escrever (e mais ainda de ser lido…) e esta minha veleidade tem me levado a incursões pela crônica e pela poesia, além de alguma produção técnica também. Mas me faltava alguma passagem pelo teatro, arte que adoro, mas com a qual careço de intimidade, seja como expectador (pouca) ou autor (nenhuma). Mas não é que descobri, escondido em uma pasta do Windows, um texto teatral de minha autoria, produzido há pelo menos dez anos? Era para ter sido um exercício em classe, de um curso de gestão em saúde que produzi para uma instituição privada de ensino. O curso não aconteceu e as horas que passei preparando aulas e outras atividades didáticas, além de me reunindo com a equipe do contratante, não me foram retribuídas materialmente. Mas pelo menos me diverti escrevendo, particularmente este “drama sanitário em ato único”, além da melancólica história da gerente Filomena, sob a forma de um pequeno conto, que ora lhes apresento.

 

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Uma voz d’Além-Mar

ANA MOURAEntendo de musica quase tanto quanto entendo de vinhos. Sei diferenciar o que é muito ruim do que é, pelo menos, bom. No meio do caminho costumo me perder… Entre um Chico Buarque e um Xororó, por exemplo, sei bem onde coloco meus ouvidos. O mesmo se dá quando tenho que escolher entre um Chapinha e um Clos de Torribas. Mas pensando bem, tanto em termos musicais como enólicos o melhor mesmo é descobrir coisas novas. E justamente agora me vem de Portugal, terra de ótimos vinhos, uma nova (para mim, pelo menos) e encantadora voz: Ana Moura. Continuar lendo “Uma voz d’Além-Mar”

O Kosovo onde é mesmo que fica?

KOSOVO 2.pngTem coisas que não mudam nunca. Outras vão piorando a cada diz que passa… Há cerca de 20 anos escrevi um texto-desabafo sobre a guerra que então se travava entre a Sérvia cristã e a Província separatista do Kosovo, de maioria islâmica. A tônica do despretensioso artigo, que iria apresentar como trabalho escolar da disciplina de Filosofia da Ciência no doutorado em Saúde Pública da Fiocruz, era expor e deplorar mais uma manifestação da irracionalidade e intolerância humana. Tentei fazer um paralelo entre três situações distintas: o consumismo das classes médias e baixas no Brasil, a violência no futebol e aquela (mais uma…) guerra balcânica. Não sei se consegui ser bastante claro em meus argumentos, por isso acabei não utilizando academicamente o tal exercício. Aliás, ficou escondido por duas décadas… Ao relê-lo, por estes dias, percebi que talvez ele tenha significado ainda pois afinal, as guerras étnicas não acabaram, o consumismo disparou (junto com a inadimplência…) e o futebol atual ainda é este horror em que se combinam grana, violência e  falcatruas diversas. Portanto, a meu ver, o artiguinho continua valendo… Leiam a seguir… Continuar lendo “O Kosovo onde é mesmo que fica?”