Anos 50
Gloriosos anos 50. Parecem hoje tão remotos que chego a duvidar de que eu tenha, de fato, vivido neles. Aliás, mais do que isso, usando uma linguagem aeronáutica, eles foram a pista por onde corri (e aprendi) até que minha vida levantasse voo, na década seguinte. Mas que hoje parecem tão longínquos, isso é certo. Lembro-me de algo que um dos meus filhos me disse, em sua infância, durante uma sessão de recordações que eu lhes proporcionava: – papai, em seu tempo já tinha relógio de pulso. Relógio de pulso, até que tinha. Mas TV, a maior parte do tempo, em minha casa pelo menos, não. Internet? Não era sequer imaginada, assim como a TV colorida, o forno de micro-ondas, os carros silenciosos, os jogos eletrônicos, o fax (que nem existe mais), aquele ultra exame que permite saber do sexo dos bebês bem antes de nascerem – tanta coisa! Fazendo um pouco de esforço até que sou capaz de lembrar de algumas coisas que vivi ou assisti na ocasião: a conquista da Copa do Mundo em 1958, o desenrolar da construção de Brasília (estive na inauguração, mas isso já foi em 1960), o primeiro fusca nas ruas, Elvis Presley em seus primeiros vagidos, Brenda Lee (consultem a wiki…), o permanente terror de uma hecatombe atômica, a delícia chamada Ski-Bon etc. Eu e minha geração somos às vezes denominados como baby-boomers pós Segunda Guerra, mas na época não fazíamos a mínima ideia de o que seria isso. Pra quem tiver paciência e generosidade, aqui vão algumas memórias minhas a respeito de tal período, que marcou a minha vida, mas ao mesmo tempo traçou o rumo do que é hoje a sociedade humana, para o bem e para o mal.
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