Se bem me lembro (IV): Encontros com Pessoas notáveis
Não sou daqueles que rejeitam liminarmente a inserção de palavras estrangeiras na língua. Se o fosse, ficaria em apuros diante de palavras como futebol, lanche, drinque, drible, basquete, pizza e muitas outras. Mas quando se pode falar a mesma coisa em língua pátria, para que buscar auxilio, ainda mais de forma canhestra e apressada, em outras línguas, geralmente o inglês? Vou direto ao ponto, quero falar aqui é da cafonice abrigada pela expressão influencer, para designar, primeiro, pessoas que não têm uma profissão muito bem esclarecida, beirando sentidos como aproveitadores ou charlatães; segundo, por conferir a tais indivíduos um estatuto duvidoso de sucesso profissional; terceiro, por já existir em bom português a palavra influenciador, cujo único possível defeito em relação ao termo gringo é ter duas sílabas a mais… Com efeito, gosto do verbo influenciar, cuja sonoridade líquida, particularmente na sílaba “flu” me parece pertinente ao seu significado, derivado do latiminfluere, ou seja, fluir para dentro. É assim que me encanto com a possibilidade de melhor entender certas coisas que fluem para dentro de mim e, principalmente, dos agentes humanos de tal fluxo (outra palavra simpática, de mesma raiz, que lembra alguma coisa gotejando com suavidade e constância). Assim, permitam-me os leitores, trago aqui uma seleção das reais personalidades influenciadoras, no sentido mais nobre da palavra, que conheci ao longo de minha vida, chegando a uma dúzia de pessoas (embora em um exercício mais intensivo eu possa ampliar tal lista.) Um conjunto de narrativas relativas a tais pessoas segue adiante, retirada de meu livro de memórias (Vaga, Lembrança), mas para começar uma breve digressão simbólica e afetiva do significado de cada uma delas em minha existência como ser humano, cidadão, profissional, ser amoroso etc.
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