Cartas de amor e desamor: entre o ridículo e o trágico
Há alguns dias, voltando de avião de uma viagem a Belo Horizonte, percebi que havia uma pasta aparentemente esquecida no bolsão da poltrona de frente. O voo já ia alto e certamente não teria como devolvê-la ao seu dono. Indaguei dos meus vizinhos e eles também não tinham informações sobre tal objeto. Pensando que talvez contivesse algo relevante, o que me levaria a pelo menos levá-la a alguma seção de perdidos e achados, verifiquei que lá dentro havia apenas 4 ou 5 páginas, aparentemente cópias xerox, de alguma coisa, de cartas, ou algo assim. Para completar minha investigação dei uma lida naquilo. Eram apenas segundas vias, nada mais, pelo que percebi, e certamente poderiam ser recuperadas pelo seu distraído (ou distraída) portador(a) de outra forma, ou seja, sua perda não causaria prejuízos a ninguém. Eu tinha lido aquilo em busca de uma solução e isso me deixava meio culpado, mas o que fazer? Não era nada comprometedor, todavia. Cartas de amor? Nem tanto. Eram cartas trocadas por um casal que se separava… Se toda carta de amor é ridícula, como disse Fernando Pessoa, o que seria, então, das cartas de desamor? No caso, à falta de outro adjetivo, eu as daria como trágicas. Pensei: isso daria um conto. Mais um detalhe, era uma pasta de plástico rosa, com um lacinho de fita a fechá-la e dela evolava um perfume discreto o que me fez deduzir que deveria ser uma coisa feminina. Nas páginas lá dentro havia anotações meio ilegíveis e marcações em cor. Devo dizer que aquilo me impactou e assim vou compartilhar meu achado com vocês. Por via das dúvidas e para garantia da privacidade das pessoas envolvidas, troquei os nomes dos missivistas, que passam a se chamar Antonieta e Edgar. Ok assim? Vamos lá.
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