Antes de começarem a ler isso aqui peço a atenção dos eventuais leitores: não tomem o presente tema como uma escolha ou sintoma mórbidos de minha parte. Se não é isso, o que seria então? Aceitem que seja apenas uma curiosidade sobre tal assunto, também conhecido como automorte, como pode ser confirmado em outras publicações minhas aqui no blog. Além do mais, como disse Camus, não existe problema filosófico mais fundamental do que o suicídio, justificando, assim, o meu interesse por tal assunto. Mas o fato é que encontrei na Wikipedia uma página inesperada: uma longa lista de gente que pôs fim à própria vida, desde antiguidade até os dias atuais. Tal lista não seria, de forma alguma, rigorosa ou exaustiva, muito longe disso, porque seus componentes, acima de tudo, não são gente comum. Se o fossem, não estariam presentes em nenhuma lista, sem qualquer destaque, em qualquer tempo ou lugar do mundo. Assim ditam as regras da sociedade humana, fazer o quê? Resolvi fazer tal trabalho mediante amostragem, já que tal conjunto é muito extenso, procurando assim as possíveis tendências presentes neste tipo de recorte, particularmente em termos do modo e instrumento de execução do gesto, do momento histórico e da atividade exercida pelos afetados durante suas vidas. Deixo duas ressalvas, de antemão: (1) não há detalhes disponíveis sobre como as coisas realmente ocorreram e nem sobre os possíveis fatores desencadeantes; (2) repito, a vasta maioria dos que suicidaram em todos os tempos não chegam a alcançar tal estatística, destinada realmente a pessoas de extração mais egrégia, à falta de outra expressão. Entretanto, para não perder o sentido que tem a palavra egrégio (ilustre, notável ou distinto, enaltecimento de alguém ou algo de forma extraordinária), acrescento ao final uma análise de tipo-ideal, agrupando as diversas situações por fatores comuns. No mais, convenhamos: toda vida, sem exceção, tem pelo menos uma partícula egrégia… Boa leitura!
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