Um périplo Rosiano, com partida (e chegada) em Brasília
O que Brasília tem a ver com Guimarães Rosa? Não é pouco, como poderia parecer à primeira vista, pois pelo menos dois fatos a respeito disso podem ser citados. Primeiro, um dos contos daquelas Primeiras Histórias, intitulado As Margens da Alegria, é ambientado nesta cidade, ainda nascente, onde uma criança tem seu primeiro contato com algumas curiosidades de um mundo que também começava a existir para ela: uma viagem de avião, uma terra muito diferente da sua, um formigueiro humano a cavoucar e abrir caminhos no mato até então fechado, a força das máquinas pesadas desvirginando o cerrado, e mais um tucano e um peru assassinado… Em segundo lugar um fato geográfico: o grande mundo do vale são-franciscano, território de Grande Sertão: Veredas praticamente envolve nossa cidade, já que um dos rios que se recolhem à sua bacia, o Rio Preto, praticamente nasce entre nós. Isso para não falar do Urucuia, que é dado à luz bem aqui perto, na vizinha Formosa. Aliás, boa extensão de terras à leste do próprio DF, fronteiriças a Goiás, já pertencem à bacia do rio São Francisco. Mas tem mais… Os largos chapadões sulcados pelo fluxo milenar das águas que escorrem do Planalto desde os tempos do oceano primitivo; as veredas de buritis e as aglomerações de macaúbas; o cerrado em suas variedades; os ribeirões envoltos pela mata ciliar; as estações do ano bem demarcadas; o céu azul sem nuvens durante metade do ano; as noites frias fazendo par aos dias quentes constantes por aqui, mostram que há muitas coisas que nos fazem também viventes no verdadeiro Grande Sertão.
Continuar lendo “Um périplo Rosiano, com partida (e chegada) em Brasília”