(Dedico esta memória a Eduardo Guerra e sua esposa Célia, bem como a minha prima Mabel, amigos que me acompanharam no périplo que narrarei em seguida).
Acabo de chegar de mais uma viagem a Portugal, a sexta que faço. Mas é também a última, de uma série iniciada em 2011. Por que? certamente me indagarão. Será que eu enjoei do país, fui mal tratado por lá, ou porventura já teria visto tudo o que me cabia ver? Nada disso! A terra lusitana jamais deixará de pulsar em meu coração, sendo eu descendente direto dela, bisneto de mais um daqueles saloios, que à falta de maiores perspectivas em seu Minho natal, veio a dar ao Brasil com seus costados, seus costumes, seu catolicismo antiquado e certamente sua incurável nostalgia. A questão, para mim, é bem outra, ou seja, é que já me sinto meio velho para este tipo de viagem, não só para Portugal como para o resto do mundo. De fato, aquele 11 de setembro ainda nos traz seus reflexos maléficos, amplificados pelo espectro diabólico desse Senhor Donald T. Com efeito, depois de mais de 10 horas de viagem, com certeza mais confortável do que aquelas dos tempos das caravelas e dos vapores, mas mesmo assim penosa para quem tem quase 80 anos como eu, é bem desafiador enfrentar quase três horas de fila, depois de uma noite nos ares muito mal (ou não) dormida. Tudo isso para que as autoridades dessa nova Europa assombrada pelo 11 de Setembro e por Putin, se convençam de que não somos terroristas e nem imigrantes prontos a roubar empregos dos europeus já estabelecidos. Não é nada agradável, mas é a realidade nos dias de hoje. Deixando de lado essas ruindades, que aliás fazem parte hoje do curso normal da humanidade, vamos ao lado bom de passar duas semanas no continente que, apesar de todos os pesares, ainda nos oferece sua marca ao mesmo tempo iluminista e colonialista, nem sempre para o bem, muitas vezes para o mal. Enfim, uma civilização e de um modo de vida que também nos pertencem. Falo não só do que percebi nesta vigem, realizada em setembro de 2026, mas também das outras, nas quais percorri o roteiro Oiapoque – Chuí de lá, ou seja, de Valença, no Minho, a Lagos, no Algarve. Então vamos em frente, sob uma forma a que denominei drops, pela sonoridade quase onomatopaica que tal palavra da língua inglesa nos oferece e pelo feitio de pequenas gotas que dei ao texto abaixo. Não vai aqui, naturalmente, algum exercício de antropologia cultural, nem tenho luzes para tanto, mas apenas constatações, por certo amadorísticas, talvez um tanto deslumbradas, carentes de maior processamento intelectual, provindas de um reles turista amador. Como disse Drummond (de si mesmo), eu também me sinto longe de ser um cronista dos melhores, mas ao contrário, estar entre os mais expostos à galhofa.
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