Eu e o Conasems: 30 anos depois

Em 1987, fui escolhido, em Congresso de Secretários Municipais de Saúde realizado em Londrina, como vice coordenador (mas titular na prática) da comissão que organizou a entidade nacional de tal categoria, o Conasems, criado oficialmente um ano depois, no congresso de Olinda. Fui também o primeiro vice presidente da entidade, mas mais uma vez, na prática, fiz as vezes de presidente, pois o sujeito que foi eleito no evento,  já se candidatara sabendo que não ficaria muito tempo no cargo de secretário, candidato que era a vereador em Recife. Mas tudo bem, isso não está contado nas crônicas oficiais da história do Conasems… Recupero aqui um pouco da história que eu vivi.
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SUS: haja ousadia para mudar!

Todos os que defendem o SUS, como é o meu caso, concordamos que mesmo com todos os seus acertos ele ainda precisa ser melhorado em muitos aspectos. Mas isso é apenas uma meia verdade, pois para um tanto de gente, a simples menção de se cancelar ou reescrever alguns dos dispositivos que regem o sistema causa temor e repulsa, quando nada acusações de heresia e traição aos ideais do SUS. Mas não são poucos os exemplos de dispositivos legais que simplesmente “não pegaram” (como se dizia antigamente da vacina antivariólica) ou simplesmente são inaplicáveis ou não passíveis de regulamentação. Continuar lendo “SUS: haja ousadia para mudar!”

Eu não estou feliz, quero morrer…

Esta declaração é do cientista inglês David Goodall de 104 anos, que optou por um suicídio assistido para ir embora dessa vida, há poucos dias atrás. Para mim, esta foi uma decisão não só muito corajosa como muito lúcida. Um dia a vida perde a graça mesmo, e as pessoas têm o direito de se indagar: o que ainda estou fazendo aqui, fraco, inútil, cheio de dores, dando trabalho para os outros, esgotando as reservas de paciência e de dinheiro de minha família? E aí vem a medicina, quando não o Estado e dizem: não pode! Tem que aguentar aqui, até o fim, sofra o que sofrer. Queira ou não queira.

De minha parte, tenho tentado me precaver quanto a algo assim. Continuar lendo “Eu não estou feliz, quero morrer…”

Participação social em saúde na América Latina – um estudo de quatro países

Em abril de 2014, acompanhei, mediante contrato com a Organização Panamericana de Saúde/OMS, na qualidade de relator e debatedor, um seminário que reuniu experiências de quatro países latino-americanos (Brasil, Bolívia. México e El Salvador), tendo como foco a participação social nos sistemas e serviços de saúde (algo que no Brasil, só no Brasil, é chamado de “controle social”). Aguardei ate agora (abril de 2018) a publicação formal do texto que preparei, mas como isso não aconteceu ofereço aos meus leitores a leitura do documento, antes que ele fique caduco… Assim, o presente documento, acessível no link abaixo, traz uma análise relativa aos estudos de caso sobre os mecanismos e experiências de participação dos cidadãos nas políticas públicas de saúde nos quatro países da América Latina , resultando de uma iniciativa de cooperação técnica envolvendo a OPAS (Brasil e Washington), o Conselho Nacional de Saúde do Brasil, além de Representações da OPAS e consultores contratados nos quatro países referidos.  Continuar lendo “Participação social em saúde na América Latina – um estudo de quatro países”

Sei que é pouco, mas é isso que os acontecimentos atuais me ensinaram…

1.       Todos são iguais perante a lei, mas é impossível não pensar que alguns parecem ser mais iguais do que os outros, como já dizia George Orwell. 2.       Ele, “o cara”, definitivamente não é um santo e o inferno deveria estar repleta de gente como ele, embora não seja esta a regra do momento – o inferno só vale para alguns escolhidos a dedo. 3.       … Continuar lendo Sei que é pouco, mas é isso que os acontecimentos atuais me ensinaram…

Crepúsculo de deuses

sonia_fleury_mg_6976Uma petição me chega pela internet, anunciando a demissão (março de 2018) de Sonia Fleury, na Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, após 35 anos de trabalhos na instituição. Deploram que era ela a “professora mais produtiva da Ebape” e que formou em seus anos de trabalho “incontáveis gestores, acadêmicos, militantes políticos, por meio de suas aulas e da orientação de monografias e teses”, tendo ainda “contribuição fundamental na construção da democracia brasileira, como formuladora do desenho do SUS”. A demissão de Sonia Fleury é então considerada “mais uma ação da FGV no sentido de destruir a Administração Pública e cercear o pluralismo e o debate de ideias na escola”. Pergunto: será isso mesmo? Continuar lendo “Crepúsculo de deuses”