De um diário alheio: Autorretrato

Cansei de procurar o autor daquele caderno de notas. O melhor de fato foi assumir que tal objeto agora me pertencia, de fato e de direito. Tendo explorado nele os filões amorosos, familiares, líricos e relativos a viagens, descobri que havia algo precioso no final daquelas páginas, uma espécie de autobiografia resumida do autor, aparentemente um prefácio ou introdução para algo de maior porte. De certa forma, isso me trazia o encontro com pessoa real, ou quase isso, que ele era, o que eu vinha tentando fazer nos últimos meses. Acabei por não saber o seu nome e nem detalhes circunstanciais de sua pessoa, mas talvez o essencial de sua trajetória estivesse registrado naquelas linhas. E o que é melhor: nas palavras dele mesmo, com a vantagem de ter dividido sua trajetória em períodos bem marcados e de características diferenciadas, que ele denominou, de forma bem didática e demarcada cronologicamente como gênesis, noviciado, vita activa, mar aberto, persona e torre de vigia. Assim, ele começa com o soneto de Camões já citado, embora de forma incompleta, em outro momento de seu texto, que talvez revelasse informação adicional sobre sua personalidade e sobre sua autopercepção da vida, revelando assim um retrato mais seguro dele, desse nosso, agora nem tanto, Ignoto. Está tudo aí, a seguir.

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