Closing Time

And I swear it happened just like this: a sigh, a cry, a hungry kiss, the gates of love they budged an inch. Leonard Cohen: Closing Time

Que festa boa meu Deus! A gente bebia e dançava, aquela banda era realmente da pesada. Johnny Walker rolava pra lá e pra cá e nos instilava sua sabedoria. Melhor ainda, no final não haveria contas a pagar. Nenhuma conta!

Do melhor não falei ainda, daquela mulher, a felina que por vezes me acompanhava na dança, sempre a pequena ou quase nenhuma distância, rodopiando, todavia presente, próxima, quase me tocando, num movimento de aproximação e recuo, a me despertar algo entre o angelical e o vulgar. Que pena, esqueci seu nome. Dela própria não sei mais nada. Sumiu em alguma dobra do mundo. Não era minha garota, era de todo mundo. Esfregava suas coxas nas coxas de todos ali – e de todas também, por que não? E se havia naquilo luxúria, havia também, por que não dizer, compaixão. Sim, a compaixão em atender os desejos de um bando de solitários, como eu, que de outra forma não teriam perto de si o calor e a textura do corpo de uma mulher, que além disso nos deixava um halo de seu perfume doce e penetrante e o toque de suas coxas, até de sua intimidade, de puro e úmido cetim.

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