Doutor Fausto

Eu o via quase todo dia comendo pastel com caldo de cana, na hora do almoço, na praça principal aqui em Poeirópolis. Apenas mais um personagem como tantos outros por ali, empregados dos escritórios ou do pequeno comércio dos arredores da praça. Gente que parecia não dispor de tempo ou dinheiro para fazer um almoço digno. O detalhe de tal personagem é que usava, ou mantinha dobrado debaixo do braço, um jaleco branco, como se fosse um médico, ou coisa que o valha. Devo ter visto ele inúmeras vezes naquele banco de praça, mas demoraram-se dias ou semanas para que começasse, de fato, a prestar atenção em sua figura.

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