A história de Percival e Cecília
Vocês não imaginam o que é morar em uma favela. Não imaginam mesmo. Eu, Josefa de Alencar, que nasci e sempre vivi aqui tem hora que presencio certas coisas… Até Deus duvidaria, eu acho. Aliás, chego eu mesma a duvidar de ter nascido e estar viva num lugar como este. Não estou falando somente do que se passa debaixo de minha janela. Não, é muito mais do que isso! Dentro da classe de ensino médio, na Escola Estadual Frantz Fanon, onde leciono, aí é que até o diabo se arrepia. E não é só violência que rola, não. Vocês podem não acreditar, mas tem chefe de tráfico, um Antônio Marins, chefão de chefões, por exemplo, que poderia até ser chamado de pai exemplar. Carinhoso, provedor, compreensivo… Isto é, compreensivo até certo ponto, aos poucos eu explico. Sei disso porque Cecília, sua única filha mulher, nascida de Lauriana, cantineira da escola onde leciono, se tomou de amizade por mim e me conta muita coisa. E costuma não poupar nem o pai nem a mãe em suas revelações.
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