O desastre da Chape e o desempenho da Educação no Brasil

chapeLeio nos jornais que, de acordo com os resultados da rodada de 2015 do inquérito denominado Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que avalia conhecimentos de estudantes de 72 países em termos de leitura, ciências e matemática, o nosso pobre país é um dos que apresenta um dos piores desempenhos. Aqui, com efeito, a média dos estudantes brasileiros ficou abaixo da dos demais países. Por exemplo, em ciências, a média do Brasil foi 401 pontos, enquanto a média dos países da OCDE foi 493. Em leitura, o país obteve 407 pontos, abaixo dos 493 pontos dos países-membros da OCDE e em matemática, o desempenho brasileiro foi de 377 contra 490 da OCDE. De acordo com tais critérios, 30 pontos equivalem a um ano de estudos, o que significa que, em média, os estudantes brasileiros estão cerca de três anos atrás em ciências e leitura e mais de três anos em matemática.

A corporação dos professores – ou pelo menos uma parte dela, ligada aos sindicatos – já deve estar dizendo por aí que isso é coisa de gringo e faz parte de um plano internacional de desestabilização do Brasil. Mais ou menos assim: associação de interesses americanos, FMI, neoliberalismo, Pisa, Moro, Temer e outros que se juntaram para nos sacanear, sacam?

Prefiro pensar diferente e ir atrás das causas reais, sem paixões e sem ideologia partidária… Quais serão os motivos de tanto fracasso, afinal de contas?

Penso que este crash da educação no Brasil tem algo a ver com os acidentes aéreos, ou seja, não adianta querer explicá-los por causas simples e isoladas, mas sim por uma série de fenômenos que acontecem em rede.

Se perguntarmos aos professores e seus sindicatos, eles colocarão a culpa nos governos. Quaisquer governos…

Se perguntarmos às famílias, elas dirão que a culpa é dos professores e das escolas…

Se perguntarmos aos governantes, eles repetirão que fazem tudo pela educação, mas que isso não é reconhecido pelos professores, que só querem saber de fazer greve…

Se perguntarmos diretamente aos estudantes eles não saberão explicitar o motivo exato, salvo mencionar vagamente a tal “PEC”, que não sabem o que é, mas de toda forma indicam o remédio para combatê-la: invadir as escolas…

Se perguntarmos à turma da direita ela dirá que a culpa é dos governos petistas, do método Paulo Freire utilizado e das escolas partidarizadas…

Já as pessoas de esquerda talvez digam que estava tudo indo muito bem até que veio este governo golpista e decretou a extinção da educação no Brasil, através dessa “PEC” fatal…

No meu entendimento, o avião da educação brasileira foi ao chão por variados motivos: governos que não valorizam a educação; famílias que não a colocam no devido lugar de honra na lista das prioridades domésticas; estudantes impregnados pelo consumismo e pela rebeldia-sem-causa peculiar aos tempos sombrios em que vivemos; professores que, no fundo, se cansaram de tudo e gostariam de ter outra vida, longe das salas de aula (sem perder as prerrogativas da profissão, claro); dirigentes educacionais eleitos ou escolhidos mais pelo interesse corporativo do que pelo compromisso com a educação; sindicalistas partidarizados (estes, sim) que por qualquer motivo estimulam e obtêm greves repetidas, das quais resultam “reposições” que se assemelham a verdadeiras salsicharias (se alguém visse como funcionam, não comeria seus produtos). E mais as falácias da “pós verdade” de que se alimentam alguns desses personagens…

Os governos, ah os governos… Eles são a verdadeira  “Geni” do processo de deterioração da educação. É claro que neste quesito, coxinhas e petralhas divergirão amplamente. Mas há que se considerar que, Paulo Freire e partidarização a parte, os rumos da educação brasileira que já eram ruins só fizeram piorar nos últimos anos, independente da cor da plumagem e das camisas que os mandatários vestem. Isso não isenta FHC nem Luladilma. Quem sabe, em relação a atual PEC, caiba aplicar a Lei de Tiririca, aquela, do pior do que tá não fica?

Na Educação, como em outras questões ligadas a políticas públicas mal sucedidas, em relação às quais nosso país é verdadeiro museu de horrores, a questão é: estabelecer uma cadeia de responsabilidades e atuar nos diversos pontos dela. Bem ao contrário do que se faz, resumindo-se em apagar incêndios e apontar bodes expiatórios.

Mas os focos são variados, é bom lembrar disso: políticos, dirigentes, mestres, alunos, sindicatos, sociedade. Mas eu sei que não é fácil, ok? Requer uma boa dosagem de vergonha na cara, ingrediente mal distribuído por aqui…

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