Morte indigna? Comigo não!

O debate sobre fim de vida está no centro das transformações globais em saúde. A revista @time incluiu Kevin Díaz na lista TIME100 Health 2026, que reúne os líderes mais influentes do mundo na área da saúde. Díaz é defensor da autonomia no fim da vida e presidente da organização Compassion & Choices. Seu trabalho tem contribuído para ampliar o debate sobre cuidado centrado no … Continuar lendo Morte indigna? Comigo não!

Miudezas ao Léu

Neste último domingo, 22 de fevereiro de 2026, fui agraciado por um convite para algo que vai se repetindo, quase que a cada ano: o lançamento de um novo livro de meu amigo Mauro Marcio de Oliveira, denominado O Livro das Miudezas. Nesses tempos que qualquer um que compartilhe em uma das tais redes sociais duas palavras com você, ou até menos do que isso, mesmo assim seja chamado de amigo, eu já nem sei se posso dedicar esta mesma palavra a Mauro. Somos bem mais do que isso: irmãos, admiradores recíprocos, membros de uma confraria de dois, unha e carne, Simon e Garfunkel, Tom Sawyer e Huckleberry Finn, algo assim. O que não impede que também tenhamos discordâncias ácidas. Mas isso aí só nos soma em termos de proximidade afetiva. E não é que desta vez, além do convite e da amizade, fui honrado com a escrita do prefácio da obra, além de, até mesmo, um posfácio, por assim dizer, escrito a quatro mãos com ele? No meio das miudezas de Mauro, tal convite representou para mim um verdadeiro Pão de Açúcar de cortesia e generosidade. É demais, né? Assim iniciei meu texto: Ao ler pela primeira vez os textos deste Livro das Miudezas que meu amigo Mauro Márcio de Oliveira me pediu para… Para o quê mesmo? Sei lá ao certo, para que eu avaliasse e tentasse encontrar alguma diretriz para que fossem publicados, com a honrosa incumbência que eu assumisse o papel de editor – seja lá o que isso pudesse significar.

O mais vocês saberão em seguida.

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O que é Testamento Vital?

Falar sobre testamento vital é falar sobre autonomia de fim de vida, dignidade e cuidado. Este documento é uma forma de deixar claro quais cuidados uma pessoa deseja (e quais não deseja) receber no fim da vida, caso não possa mais se expressar. Ele protege a vontade dela, orienta médicos e alivia familiares de decisões difíceis tomadas sob pressão. No site da entidade à qual … Continuar lendo O que é Testamento Vital?

A morte voluntária assistida de Jean-Luc Godard

Na história das personalidades que optaram corajosamente pela morte voluntária e assistida, está Jean-Luc Godard (1930-2022), cineasta franco-suiço que se notabilizou como uma das figuras centrais do movimento da Nouvelle-Vague dos anos 1960. Godard não era propriamente um paciente terminal, mas mesmo assim preferiu recorrer à morte voluntária por estar acometido de condições múltiplas e incapacitantes, vivendo havia décadas de modo recluso em Rolle, na Suíça. Um amigo informou que Godard não estava propriamente doente, mas simplesmente exausto, tendo assim, voluntariamente, dado por encerada sua existência. Ele já havia prenunciado seu gesto em 2014, quando numa entrevista afirmou que não era seu desejo estar vivo a qualquer custo, ironizando: “caso eu esteja muito doente, não gostaria de ser carregado em um carrinho de mão”. Porém, questionado sobre a morte assistida na mesma ocasião, Godard respondeu, talvez ainda um tanto vacilante, que “sim… por enquanto” e que tal escolha era “ainda era muito difícil”. O procedimento de morte voluntária e assistida, na Suíça, em 2022, ocorreu em sua própria residência e segundo sua mulher se deu de forma calma e pacífica.

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Mensagem de Natal

AOS MEUS PRECIOSOS LEITORES (CASO EXISTAM) ENVIO ESTA MENSAGEM DE NATAL, ATRAVÉS DO TEXTO LUMINOSO DO ESCRITOR MINEIRO BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIROZ <<ERA SILENCIOSO O AMOR. PODIA-SE ADIVINHÁ-LO NO CUIDADO DA MÃE ENXAGUANDO AS ROUPAS NAS ÁGUAS DE ANIL. ERA SILENCIOSO, MAS VIA-SE O AMOR ENTRE SEUS DEDOS CORTANDO A COUVE, DESFOLHANDO REPOLHOS, CRISTALIZANDO FIGOS, BORDANDO FLORES DE CANELA SOBRE O ARROZ-DOCE NAS TIGELAS.    … Continuar lendo Mensagem de Natal

Calendário florístico de Brasília: cega-machado

No auge da seca o cerrado é capaz de coisas extraordinárias, como a florada do cega-machado. E ela não vem sozinha, entrando em cena ainda com os ipês exorbitando sua amarelice, concorrendo com os ipês-rosa, embora estes sem dúvida sejam mais modestos do que ela e antecedendo, por pouco tempo, a alvura de neve de outros ipês e também explosão variegada  de sapucaias e cagaiteiras. É um tempo de farra florística e cromática na qual ninguém ousaria botar defeito! Vamos ver o que nos dizem os tratados botânicos.

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José Olympio de Freitas Azevedo: este deixou sua marca

Tive inéditos momentos de “queridinho” quando cheguei em Uberlândia, para ser o professor de Doenças Infecciosas e Parasitárias, em 1975, na recém-nascida e de nome redundante Escola de Medicina e Cirurgia. O fato é que agradei tanto, que no final do ano, tendo sido professor de duas turmas sucessivamente, uma “da vez” e a outra em atraso com a matéria, fui lembrado pela representação dos alunos no colegiado da faculdade como eventual indicado do corpo discente para a direção da instituição. Era demais para mim, bem o sei, mas devo dizer que me fez muito bem para a autoestima.

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Tributo a Ricardo de Freitas Scotti, com quem muito aprendi

Quando soube da passagem deste meu amigo, procurei logo saber informações biográficas mais detalhadas sobre o mesmo, pois gostaria de homenageá-la aqui neste espaço. O Conass, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, em cuja construção ele teve participação fundamental, me atendeu e me municiou logo sobre tal pedido, mas cheguei à conclusão de que não precisaria dispor de tais dados, pois o que realmente fazia sentido para o meu relato era o que a memória me trazia de maneira farta, sem outros adereços.

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Dioclécio Campos Junior: in memoriam

Eu o conheci nos anos 80, quando vim a Brasília negociar recursos para a saúde em Uberlândia, na condição de secretário de tal área na cidade. Ele me recebeu em um prédio do Ministério da Saúde na Asa Norte, já de início me oferecendo a sensação de que éramos velhos conhecidos, embora fosse a primeira vez que nos encontrávamos. Aquilo era apenas seu jeito de … Continuar lendo Dioclécio Campos Junior: in memoriam

Profissão Médica no Brasil: um triste horizonte…

Eu me formei em medicina na UFMF em 1971. Cliniquei por alguns anos e depois resolvi me dedicar à Saúde Pública, tendo trabalhado em órgãos de gestão do SUS nas três instâncias da Federação, com destaque (e orgulho de minha parte) de ter sido, por duas ocasiões, Secretário Municipal de Saúde em Uberlândia. Participei das lutas da criação do SUS no país, nos anos 80 e 90. Por que estou dizendo tudo isso? Já nem sei mais… Melhor me calar…. Recentes acontecimentos envolvendo a profissão medica no país me deixam não só aborrecido, mas acima de tudo quase me obrigam a um silêncio envergonhado. Falo das recentes eleições para a composição, a partir dos estados, do Conselho Federal de Medicina. O que se viu ali representou o ápice de uma gestação ofídica, que já se denunciava desde os alvores da era bolsonarista, ou seja, a conivência e adesão gratuita e desavergonhada dos conselhos de medicina, capitaneados pelo CFM, ao negacionismo, ao reacionarismo e ao arrepio de diversas conquistas culturais e sociais da sociedade. Com efeito, de Norte a Sul do país, dos confins amazônicos aos enormes litorais, o que se viu foi a escolha, por parte dos médicos do país, de uma maioria de indivíduos bisonhos, conservadores e cegos às aspirações da sociedade . O bolsonarismo e seus efeitos deletérios, com efeito, não foram derrotados em novembro de 2022. Qual fênix, ou abutre, embora chamuscado, ensaia seus voos de mau agouro por toda parte. Não somos todos assim, nós médicos, claro. Mas agora, mais do que nunca, temos que buscar e nos apoiar naqueles que honraram as tradições de humanismo, de apego à ciência, de compromisso social que a medicina deveria carregar. Gente como Drauzio Varela, para falar de quem ainda vive e também Noel Nutels, Moacir Scliar e muitos outros, que já não estão mais aqui. Entre estes últimos aproveito a oportunidade para homenagear um médico especialmente notável: Mario Magalhães da Silveira.

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