13 de março de 2016: procura-se um cadáver….

EDSON LUIZAconteceu em 1968: um cadáver estava sendo ansiosamente aguardado. E compareceu. Edson Luiz fez com sua morte o que dele se esperava, não exatamente, talvez, por parte dos manifestantes, mas da ditadura. E veio mais repressão e o cerceamento total das liberdades já quase extintas então. Este dia 13 de março me evoca este trágico acontecimento. Trágico não só pela morte de um jovem inocente, mas pelo que custou ao país nos 17 anos seguintes, com repercussões ainda atuais. Amanhã pode acontecer algo assim e no caso presente isso interessaria a quem? À tropa anti Dilma e anti PT? Aos que defendem posições contrárias? Tanto faz, na verdade. Embora ninguém explicite e reclame claramente a presença de um morto como saldo das manifestações de amanhã, seu potencial de corporificação é grande. Um cadáver (e se formos pessimistas, mais de um) é o combustível que falta para se somar ao fósforo acesso da intolerância política e da incivilidade geral que infelizmente tomaram conta do Brasil. Se essa morte ocorrer entre as hostes contrárias ou favoráveis ao governo o estrago será o mesmo. O governo será acusando de ditatorial, mesmo por aqueles que desejam, explicitando ou não, o comprometimento do estado de direito. Da outra banda, serão procurados culpados entre os “fascistas” (palavra que voltou à moda em dias recentes) ou entre a “polícia assassina” (dependendo do governo estadual que a mantém…). O Brasil, já tão distante da normalidade civil, certamente entrará em chamas. E não desprezemos a possibilidade de que reações em cadeia ocorram. O pior é que não há mais palavras de ordem ou conclamações à paz e à civilidade que resolvam. Não há no País liderança moral capaz de enuncia-las e ser ouvida (para nosso azar, Francisco é argentino). Chegamos, creio, a um ponto de não-retorno. Tenho muito medo do que pode acontecer amanhã…

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2 comentários sobre “13 de março de 2016: procura-se um cadáver….

  1. E que a fatalidade não atinja a imprensa, como o caso ocorrido recentemente com o cinegrafista da Band( ou da globo?) então estaremos “à beira do abismo” e ai “ninguém segura este país”

    Helem

  2. Fatalidadenão é História.
    Tou firme com o mestre Milton Santos, e entendo que é da baixo que vem as lufadas de ar na direção da reinvenção do HUMANO e da s oportunidades para todo o POVO bRASILEIRO. Já estamos no “Brasil Mais 516” anos e as elites continuma agarradas a ferro e fogo aos seus privilégios. Fazem quase 2 anos e elas não aceitam a soberania popular.
    Outros mundos são possíveis.
    FalVas – Livre pensador libertário e membro da diretoria até segunda ordem.

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