Saúde da Família: Boas Práticas e Círculos Virtuosos

LIVRO SF EDUFU“Uma coisa é por idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil e tantas misérias…  Tanta gente – dá susto de saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego; querendo chuva e negócios bons.  De sorte que carece de se escolher…”  (Guimarães Rosa –  Grande Sertão: Veredas)

Com esta citação de Grande Sertão: Veredas é que se inicia este meu livro, editado pela EDUFU – Editora da Universidade Federal de Uberlândia (onde tive a honra de ser docente por quase 20 anos…). Nele se analisa a implementação do Programa (agora Estratégia) de Saúde da Família no Brasil (PSF), de forma a revelar os conflitos existentes entre a normatização dura federal e as iniciativas dos governos locais, mais flexíveis e inovadoras. São diferentes casos estudados, considerados bem sucedidos em matéria de implementação do PSF, a saber: Contagem-MG, Curitiba-PR, Ibiá-MG, Niterói-RJ, Vitória da Conquista-BA e mais duas experiências pioneiras do Sul do País (Grupo Conceição e Murialdo). Boas práticas e círculos virtuosos de implementação são desvendados, entre outros, a capacidade de tomada de decisões; a qualificação das equipes técnicas; a capacidade de articulação externa, mediante um certo cosmopolitismo político e sanitário; a opção pela efetiva substituição dos componentes estruturais e ideológicos dos antigos regimes de práticas; o desenvolvimento de inovações; a sustentabilidade financeira, cultural, simbólica e política, além do que o autor denomina muito apropriadamente de efeito espelho, a difusão das experiências de modo horizontal, entre municípios, mediante uma autêntica pedagogia do exemplo. Com efeito, aqui temos mais do que idéias arranjadas, capazes de atender a tanta gente que nasce, cresce e quer melhorar de vida, fundamentos para aquilo que carece de se escolher, e mais do que isso, saber escolher. Este livro certamente contribuirá para que essas escolhas sejam feitas de forma mais criteriosa pelo povo da saúde: gestores, profissionais, trabalhadores, conselheiros, estudiosos e quem mais se interesse pelo assunto.

Meu livro é fruto de uma tese de doutoramento que apresentei à ENSP/FIOCRUZ em 2002. Sua publicação deve ser, antes de tudo, creditada à generosa iniciativa da EDUFU. Creio tê-lo redigido como uma síntese das coisas que vi e aprendi não só em minhas investigações na área de saúde pública, mas também em minha prática de médico e de administrador. Seu tema, Saúde da Família, não é para mim mero objeto de estudo; antes, contém coisas em que realmente acredito, por refletir o que representa, no meu entendimento, um novo tempo para a saúde no nosso País, uma verdadeira e definitiva estratégia nacional na saúde, dentro da qual a equidade, a integralidade e a participação se transformaram em práticas reais, em que pese o choque, sem dúvida freqüente, contra tradições políticas, profissionais e culturais desestabilizadoras. Apresento aqui, e com muito orgulho disso, uma visão positiva da Saúde da Família e desde já advirto aos meus leitores que minha abordagem não é apenas a do observador e pesquisador imbuído de neutralidade, mas também a do militante e do partisan apaixonado. Portanto, confesso que escrevi

Este livro pertence, acima de tudo, às famílias que a vida me deu, pelo sangue ou pelo afeto. Dedico-o principalmente a meus filhos: Lela, Nanda, Maurício, Flavinho e Sophia – a minha Xuxu.

Para adquirir, entre em contato com a EDUFU: Av. João Naves de Ávila, 2121 – Campus Santa Mônica – Bl. 1S – Térreo – Uberlândia – MG – CEP 38.408-144 – http://www.edufu.ufu.br/ – Departamento de vendas: vendas@edufu.ufu.br – Correio: Caixa Postal 593 – CEP 38.408-144

COMENTÁRIO DE GASTÃO WAGNER DE SOUZA CAMPOS

<<Este livro faz uma síntese analítica sobre experiências de Saúde da Família no Brasil, deduzindo práticas de governo que favoreceram ou dificultaram o processo de implementação do mesmo. Aponta a importância da existência de lideranças capazes de interagir com o contexto; demonstra a relevância do amadurecimento institucional, adoção de gestão plena e de outros instrumentos, para a concretização das mudanças; identifica, em todos estes casos, contatos entre agentes locais e o movimento nacional e internacional que se dedica a repensar a saúde; indica, com certa surpresa, a baixa interferência das Universidades e das Secretarias de Estado da Saúde no apoio a estes projetos; mas, sobretudo, aponta o que se denomina efeito espelho, ou seja, projetos que não somente haveriam iluminado problemas sociais destas cidades, como produzido um efeito pedagógico sobre modos horizontais para se construir políticas públicas. Sem fazer concessões à crítica, realiza todo um esforço para identificar práticas de bom governo e caminhos que conduzam a ciclos virtuosos, tendo a Saúde da Família como bússola segura. Eis um texto que merece ser lido e debatido tanto porque amplia nossa compreensão sobre saúde e políticas públicas, como também porque propicia momentos agradáveis, de boa leitura, para quem trabalhe ou milite no campo da saúde.>>

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