Saúde da Família: um “tipo ideal”

DAVIDNo segundo semestre de 2013 participei de um pesquisa do Observatório de Recursos Humanos do NESP (Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva) da Universidade de Brasília sobre os processos de trabalho das Equipes de Saúde da Família, analisando as respostas de cerca de duas centenas de profissionais de todo o Brasil através da metodologia Delphi de pesquisa.

Com base nas informações produzidas, procurou-se responder à seguinte questão: qual é a visão e a proposta “ideal” a que os entrevistados defendem, acreditam e apoiam em relação à ESF?

Em primeiro lugar, defendem a integralidade, a universalização, a responsabilização individual e coletiva, o trabalho em equipe, além do compartilhamento de tarefas nas Unidades Básicas de Saúde.

Reforçam a necessidade de que haja condições de trabalho adequadas para todos, seja em termos de formação e capacitação continuada, seja na disponibilidade de tecnologias e processos adequados às práticas de atenção básica.

Sua opção é pelo regime de trabalho em tempo integral e dedicação exclusiva, mediante contratos definidos e formalmente inseridos em carreira de Estado, deixando de fora as terceirizações e mesmo o regime fundacional de contratação de pessoal.

Aceitam a vinda de médicos estrangeiros para comporem as equipes de SF, mas não abrem mão da qualificação desses profissionais e do cumprimento dos dispositivos legais brasileiros em termos da revalidação de diplomas.

Acreditam no trabalho em equipe, com respeito e valorização de todos os trabalhadores envolvidos, em regime de compartilhamento de práticas, tendo, especificamente, no ACS, um colaborador estratégico, merecedor de melhor capacitação, no sentido de o exercício da delegação de tarefas que recebe seja mais qualificado, evitando assim, institucionalizar-se como mera visita domiciliar burocratizada.

Defendem o conceito de porta de entrada da APS e a implementação de uma instância de acolhimento de pacientes e classificação de riscos nas unidades respectivas.

Demonstram interesse em inovações dos processos de gestão e assistência, traduzidas, por exemplo, pelos instrumentos de gestão da clínica e pelo planejamento participativo, a serem incorporados nos processos de treinamento desenvolvidos para as equipes, bem como aceitam os processos de avaliação de desempenho nas equipes e o trabalho mediante metas e incentivos para alcançá-los.

São pessoas críticas, sem perder o caráter construtivo, tendo como focos principais de suas preocupações o financiamento deficiente; a falta de compromisso político e a falta de maior competência técnica e administrativa dos gestores.

Acreditam, por fim, que a Estratégia de Saúde da Família tem um futuro produtivo e exitoso, em termos de mudanças do modelo assistencial no SUS, no atendimento resolutivo às necessidades básica da população, bem como na universalização e na equidade do acesso aos serviços de saúde.

 (Nesta pesquisa,  tive a honra de trabalhar junto com Sérgio Piola – que coordenou a atividade –  Solon Magalhães Viana, Valdemar Rodrigues, Adriana Alethea e Zuleide Ramos, todos membros do Observatório de RH do NESP/UnB)

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