A internet e as pessoas de bem

kiplingRudyard Kipling, nascido na India, mas filho de pais britânicos, certamente é um escritor fora de moda. Polêmico, Orwell o chamou de “Profeta do Império Britânico”. Foi Prêmio Nobel de Literatura em 1907. Sua obra reflete o ponto de vista da Inglaterra vitoriana e daquele “império onde o sol nunca se punha”. Mas de repente descobri que seu famoso poema “If” (“Se”) oferece possibilidades interessantes para  aprofundamento sobre como as pessoas se enganam (e são enganadas) pela informação em massa instantânea de hoje. Vão aí, desculpando  a liberdade que tomei com o vetusto súdito de S. M. a Rainha Victoria, os versos que adaptei e pelos quais assumo inteira responsabilidade. “Se” me permitem…

SE (IF)

Se és capaz de duvidar do que lês na internet, quando todo mundo ao redor de ti já leu e acreditou, a ainda acha que você é um alienado.

De acreditar que seu senso crítico pode ser melhor que os equívocos da opinião grupal.

Se és capaz de esperar antes de divulgar as matérias suspeitas que lês no Facebook.

E mesmo ao te veres enganado não persistires em divulgar a falsidade.

Mesmo sendo marginalizado sob a acusação de pretenderes ser melhor que os outros.

Ou parecer bom demais, ou pretensioso.

Se és capaz de pensar por ti, em um ambiente em que todos só reproduzem pensamentos dos outros.
De sonhar, mas sem fazer dos sonhos apenas a reprodução do que a web te mostra no dia a dia.

De mostrar tua opinião, sem com que isso busques likes e reações favoráveis.

Nem achar que são seus “amigos” aquelas centenas de pessoas que não fazem a mínima ideia de quem você é.

Se encontrando a indiferença de todos mesmo assim te mantiveres firme e orgulhoso por possuíres ideias próprias.
E tratar como merecem os impostores da web: cancelando seus nomes de tua lista pessoal. Se és capaz de sofrer o desgosto de ver mudadas em armadilhas as verdades que disseste.
E as coisas em que acreditas espezinhadas no facebook,
Sabendo  refazê-las mesmo que bem pouco te reste.

Se és capaz, no seio seco da “comunidade virtual”, de não te seguires com a manada
E, entre os formadores de opinião na web, não perderes a autoconfiança,
E daquele milhão de “amigos”, ignotos em sua maioria, te defenderes.
Se não te importas deixares de ter alguma utilidade para tal mundo.
E se és capaz de ser tu mesmo, segundo por segundo,
E no minuto fatal ainda assim reunir valor e brilho.
Contigo estará a verdade, com tudo o que existe no mundo
Então tu serás uma verdadeira pessoa-de-bem!

 

 

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