Do balcão da minha venda (e outras histórias)
Contos… Persisto em querer escrevê-los…
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Contos… Persisto em querer escrevê-los…
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Persisto na veleidade de escrever contos. Podem me criticar pelo resultado insatisfatório. Mas indago: não é treinando que se aprende? Aqui juntei escritos meus ao logo do ano de 2023, nos quais, mesmo sem intencionalidade direta, contei histórias de gente diferente, para tentar ser sucinto. Inspiração? Casos de minha carreira médica, lembranças de fatos e de pessoas que conheci ao longo da vida, frutos de minha imaginação – tem um pouco de tudo isso. Este último ingrediente talvez seja mais constante do que os outros e isso com certeza indica um caráter menos auto-biográfico e mais psico-analítico nos meus escritos. Mas por favor vão desculpando, eu assumo que sou assim… Aqui vai uma dúzia de testemunhos sinceros disso.
Continuar lendo “Humanos em demasia…”
Incorrigível, eu. Persisto em minha veleidade de escrever contos. Ou talvez devesse usar outro verbo: perseguir? Mas não desisto. Isso me faz lembrar Augusto Matraga, o personagem de Guimarães Rosa, que repetida a todo momento em sua luta contra a maldade do mundo: vou para o céu nem que seja debaixo de porrete. Pois que venham a mim as pauladas da crítica, ou pior do que isso, de ser ignorado. Mas persisto, e apresento aqui estas sete histórias totalmente inventadas. Aliás, para falar um pouquinho de verdade, pode ser que mesmo esta invenção seja de fato inventada. Vão desculpando…
Continuar lendo “Conta de mentiroso (Sete histórias inventadas)”
Sei que na história da Arte as Três Graças representam outra coisa. Mas por afinidade resolvi associar este nome para ilustrar esta reunião de escritos meus, que junta Contos, Crônicas e Poesias. É o resultado de pelo menos trinta anos de tentativas literárias, embora em relação aos contos minhas experiências sejam bem mais recentes, de apenas alguns meses. Como selecionei dez exemplares de cada uma de tais categorias, dei à coletânea este nome bem pouco literário: 10+10+10, embora fiel ao objeto apresentado. Ficam assim aqui registrados estes escritos, para a posteridade, ou para alguém apareça – e será bem vindo! – para me ler antes disso.
Continuar lendo “As Três Graças”
Aqui vai mais uma pequena seleção de contos meus. Desta vez são dez. Começa assim… <<Destas ruas de pedras lisas, que tantos pés esculpiram, as feridas nos morros se fizeram menos mortais e as mangueiras inundaram tudo com o cheiro seminal de suas floradas; das gelosias dos casarões alguém viu, mas sobre isso se calou….>> Acesse: Continuar lendo Registrado nas Efemérides (e outras histórias)
Que caso mais esquisito o que eu tive com aquela mulher. Eu chamaria aquilo de um negro amor, não como uma expressão racista (porque hoje esta palavra exige cuidado pra ser usada), mas como uma coisa que mesmo durante toda sua presença em minha vida eu só queria que acabasse e que fosse esquecida. Um sentimento que se tem, quem sabe, pelos mortos desconhecidos e incapazes de outra vez se levantarem. Pedras de um caminho que cumpria serem deixadas para trás.
Continuar lendo “Amor infernal”
Não foi nada não, lhe asseguro. Os pipocos que o senhor ouviu não foram de briga de homem. É coisa minha mesmo, gosto de praticar a pontaria, quase todo dia faço isso. Agora, com o preço da munição pela hora da morte – desculpe a brincadeira – está ficando mais difícil, mas mesmo assim não deixo de dar meus tirinhos, sempre num barranco aqui do quintal, para não acertar ninguém – Deus me livre.
Já fiz disso profissão e acho que até criei fama. Mas agora o que me interessa são essas galinhas, essa horta de couves, algum leitão que engordo para o Natal. Armas quase não tenho mais, só uma zinha a Flobé, quase um cisco de carabina, brinquedo de menino perto do que já tive nas mãos, em tempos passados. Mas isso já acabou para mim, total: o senhor fique sabendo.
Continuar lendo “O Redentor”
Eu mato sim: baratas. E também elimino formigas, percevejos, escorpiões. Estou me especializando em lesmas, há uma praga delas aqui na cidade. Acho que é uma profissão de grande interesse para a sociedade.
Mas não vim parar aqui como escolha minha, principal. Eu tentei vestibular para biologia e também veterinária e não consegui passar, Isto é, passei numa escola particular. Mas quem é que dá conta de pagar mensalidade de dois ou três mil reais numa faculdade? Quem vem de escola pública, sabe como é? Eu precisava trabalhar, ganhar a vida.
Criei uma empresa de mentirinha, a Baratinha. Digo isso porque a empresa sou eu mesmo, não tem CNPJ nem nada. Eu, meu celular, minha bombinha e minha bicicleta. E Deus no céu. Pagamentos, só por pix.
Continuar lendo “O Matador”
Há mais coisas, Horácio, entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia. Hamlet – Shakespeare (Ato I – Cena V)
Logo que viu aquele negro jovem e corpulento, com um tosco cartaz escrito a pincel atômico com seu nome, a esperá-lo na calçada do aeroporto, sentiu de imediato certa empatia pela figura. Em cada movimento seguinte viu confirmada suas impressões, nos votos de boas-vindas, na mala que lhe foi retirada pressurosamente das mãos, na indagação se havia feito boa viagem. Quando entrou no carro havia a sua disposição pastilhas de menta e água mineral, meio quente, mas sempre um agrado, pensou, mas que mais ainda lhe aumentou a simpatia pelo motorista, que o conduziria para uma viagem noite a dentro.
Estava ali para uma visita técnica à prefeitura do município, situado a quase 200 km daquela cidade polo, para onde o avião trouxera. Era bem acostumado com este tipo de viagem e as recepções que lhe faziam costumava ser variadas em termos de qualidade, mas aquela lhe parecia estar entre as mais calorosas que já experimentara.
Continuar lendo “Coisas entre o Céu e a Terra”
A JANELA INDISCRETA
Eu bem vi que o porteiro tentava me avisar de alguma coisa. Não dei muita atenção, pensei que ele falava dos pivetes que andam por ali. Com estes já estou acostumado, não levam a melhor comigo. Mas dessa vez o perigo era outro, uma calçada escorregadia. E assim eu fui parar no chão. Ato contínuo, no Pronto Socorro.
E agora em casa estou eu, com a tíbia partida, mínimo vinte dias de repouso forçado, me arranjaram até uma cadeira de rodas, para me locomover pela área na qual um simples degrau não se interporia como uma muralha.
Meus pensamentos iniciais foram para James Stewart, o fotógrafo acidentado no filme de Hitchcock, A Janela Indiscreta, que acaba descobrindo um crime, graças à sua observação dos vizinhos. Em sintonia com ele tenho à minha disposição apenas esta janela nos fundos de casa, pois não sou fotógrafo, muito menos profissional. Neste quesito, aliás, tenho apenas a câmera do celular, embora não chegue a dominar todos os recursos que ela me oferece. Ah, sim: me falta também uma boa Grace Kelly. Mas aí seria querer demais.
Continuar lendo “Aqui vai mais um conto…”