Na saúde, por que a vaca vai pro brejo?
Estou lendo por estes dias (e num ritmo que logo me levará à última página) o best-seller de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, “Como as democracias morrem”, livro que tem sido muito comentado por toda a parte, particularmente no Brasil, face aos acontecimentos a que, uma fatídica facada que um aloprado desferiu em um maluco, há cerca de um ano, fizeram o país entrar nesta rota de colisão consigo mesmo que parece não ter fim. O foco do livro é a democracia dos EUA, na qual os autores, para nosso espanto, não vêm muita segurança ou durabilidade. E o pior é que muito do que ali está faz lembrar – e assusta por isso – o Brasil e também países como a Venezuela, a Hungria, a Turquia, além de outros, muitos outros. Eles chamam atenção para algo que o senso comum costuma associar ao declínio da democracia em um país, ou seja, o clássico golpe militar violento. Isso foi assim, inclusive no Brasil de 1964, mas mudou. Lembram eles, há outras maneiras de arruinar uma democracia, menos dramáticas, sem deixarem de ser destrutivas; e isso ocorre através das mãos, não de milicos estrelados, mas de líderes eleitos. E muitas vezes as democracias decaem paulatinamente, em etapas que mal chegam a ser visíveis. Tudo a ver com o Brasil atual sem dúvida, mas nós estamos aqui para falar de saúde… Assim, numa analogia arriscada, a questão muda um pouco de figura: por que os sistemas de saúde perecem? Continuar lendo “Na saúde, por que a vaca vai pro brejo?”

Oitenta dias longe do Brasil. Mais do que isso, distante dos filhos, netos e
De minha janela em Cascais, onde estive por sessenta dias, a Terra Lusitana me chegava aos sentidos através de várias imagens: pinheiros e oliveiras nas encostas; pés de couve nos quintais; ovelhinhas em apriscos; patos e galinhas ciscando em terreiros; algumas ruínas; casarões senhoriais; modernos conjuntos habitacionais. O mar onipresente no país apenas envia sua brisa, pois não era possível enxerga-lo de onde eu estava. Tudo ao mesmo tempo, agora! Junta-se assim o moderno e o arcaico; o natural e o construído pelo homem; o simples e o complexo; a gente rica e a remediada, pois não chego a ver pobreza por aqui. Que país seria este, tão conhecido e ao mesmo tempo ignorado por nós brasileiros. Um espelho onde poderíamos ver refletidas algumas de nossas vergonhas? Na saúde, por exemplo, em 2011 eles estavam simplesmente quebrados, como nós, hoje ou quase sempre. E passaram o chapéu, rendendo-se ao polêmico acordo firmado com o FMI, Banco Central e Comissão da União Europeia – a famigerada Troika. Foi assim aplicado ao país o amargo remédio da austeridade.
E agora, Jair? /