Pelos Sertões do Urucuia

A presente viagem foi realizada na segunda quinzena de janeiro último (2025), durando apenas quatro dias. Foram participantes dela este blogueiro que vos fala e meu grande amigo Cristiano Barbosa, misto de geógrafo, agitador cultural e cineasta-documentarista, residente em Uberlândia. A ideia era de realizar, ou começar a fazê-lo, um pequeno documentário sobre a região do rio Urucuia, a qual, como se sabe é também um ‘personagem’ de Grande Sertão: Veredas. Seu possível roteiro buscaria por imagens e possíveis referências de Guimarães Rosa, particularmente os chamados jagunços Catrumanos, gente pobre e valente, proveniente do vale de tal rio, os quais, por hipótese, acabaram desarmados, desempoderados e expulsos pelo ‘progresso’ material, particularmente pela entrada em cena do agronegócio na região. Acabamos mudando o foco após o encontro de um extraordinário personagem, que como se verá a seguir, nos revelou novas e interessantes facetas daqueles sertões. Não abandonamos o tema original relativo aos tais Catrumanos, ele apenas ficou para uma próxima etapa.  Narro agora nosso périplo pelos Sertões do Urucuia, através de pequenas inserções textuais, para não cansar os leitores. Vamos lá?

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Visão de uma cidade em trabalho de parto: As Margens da Alegria

Li, por esses dias, dois textos que falam da visão de uma cidade nascente – Brasília – naquele período mágico em que tudo indicava que o Brasil ia dar certo. Éramos campeões mundiais de futebol, de tênis, de boxe e de esperanças. Uma nova capital estava sendo erguida nos fundões do país. Nada mais emblemático. Falarei do primeiro desses textos aqui, o conto “As Margens da Alegria”, de Guimarães Rosa. Na sequência quero trazer Clarice Lispector e Vinicius de Morais, Sophia de Mello Breyner e outros, enquanto vou tentando colecionar mais e mais. Antes de começar, um preâmbulo. JGR trouxe vários personagens infantis à luz em sua obra. O mais notório talvez seja Miguilim, em “Campo Geral”, mas não podemos esquecer do Quinzinho de “Conversa de Bois”; de Nhiinha, a “Menina de Lá”; dos irmãos e do primo de “A Partida do Audaz Navegante”, além de outros. Acrescento a tal galeria este outro menino, não nomeado que ia “com os tios, passar dias no lugar onde se construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele, produzia-se em caso de sonho. Saíam ainda com o escuro, o ar fino de cheiros desconhecidos”. Continuar lendo “Visão de uma cidade em trabalho de parto: As Margens da Alegria”

O analista de Cordisburgo

Meu amigo não está entre nós há muito tempo. Só para contextualizar, quando ele se exilou, o Capitão ainda não havia deixado sua roça paulista e Sérgio Moro nem havia nascido e muito menos havia resolvido se prestava vestibular para o curso de Direito ou para Publicidade… Mas me impressiona muito o modo como ele é capaz de acompanhar e emitir opiniões pertinentes sobre a realidade brasileira, especialmente na política. Às vezes suas frases são meio misteriosas, mas logo se esclarecem, a cada fornada de notícias de jornal.

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Pelo Sertão, com Rosa

No remoto mês de maio de 1952, época de floradas e esplendor de vida no sertão, Guimarães Rosa, com 44 anos, então diplomata no exterior, mas já famoso como escritor pelo seu livro Sagarana, inicia uma viagem a cavalo, acompanhando uma boiada desde a região onde hoje se situa a represa de Três Marias, até Araçaí, nas proximidades de Cordisburgo, sua terra natal. Fazem companhia … Continuar lendo Pelo Sertão, com Rosa