Anos 50

Em texto que postei aqui recentemente, em homenagem a Mário Magalhães da Silveira, fiz uma espécie de apologia aos anos 50, dizendo o seguinte: << Movimentados anos 50. No Brasil, pelo menos, as coisas nunca mais foram as mesmas. Perdemos uma Copa do Mundo, ganhamos outra. Tivemos que lidar com o golpismo explícito ou implícito de militares e civis mancomunados. Entramos na guerra fria como se fosse coisa nossa. Nossos compatriotas migraram em massa das roças para as cidades. Jorge Amado e Guimarães Rosa projetaram a literatura brasileira para o mundo. Construímos Brasília. Apesar de alguns pesares, foi lícito pensar que chegara a nossa vez de tocar algum instrumento no concerto das nações. Não foi pouca coisa, realmente.>> Pois é, eu estive presente nesses “anos 50” e posso contar.  É provável que alguma coisa tenha acontecido nem no local, nem no tempo ou com as pessoas a que me refiro. Não importa. Vamos combinar: falo do que me lembro e como me lembro, tendo como ponto forte as coisas boas ocorridas. Permitam-me organizá-las e contá-las do meu jeito. Convido vocês para um giro na BH daquela época.

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O dia em que conheci Brasília

Entoando nosso hino, o rataplã do arrebol, de cujas palavras ignorávamos o exato significado, nos arrancamos de BH em uma manhãzinha de abril de 1960. O caminhão Chevrolet tinia de novo (uma gíria da época) e levava nossa tropa, o Grupo Escoteiro do Colégio Estadual, para participar da inauguração de Brasília. Dentre nós, os mais viajados mal haviam passado de Lagoa Santa, ou adjacências, sempre … Continuar lendo O dia em que conheci Brasília

«Amarcord»  de sabores

DOCE DE LEITEQuando visito a casa de João Maurício, cumpro um ritual que sempre me dá grande prazer: enfiar a cabeça na caixa aberta daquele piano Pleyel que nós todos conhecemos e aspirar com sofreguidão o cheiro de madeira velha, tão peculiar, que entra ano, sai ano, continua ali guardado. Então me penetram os sentidos um sem número de aromas e sabores que marcaram minha infância, na rua do Ouro, na casa ancestral de Vovó Dodora e Vovô Altivo, além de outras casas da família. Recordo-me disso, ao iniciar estas linhas, para deixar claro que tenho uma tremenda memória para essas coisas. Dizem que eu tenho uma memória enorme para fatos, não sei bem se é assim, mas das comidas e dos perfumes de minha infância, realmente não me esqueço.  Continuar lendo “«Amarcord»  de sabores”