Saúde da Família: o que pensa, em que acredita e o que quer essa gente?

Medicina de famíliaEntre 2014-15 participei de uma pesquisa nacional realizada entre pessoas que militam na área da Atenção Básica/Saúde da Família no Brasil, seja como gente da ponta da linha, pesquisadores e gestores. Tive a boa companhia de Solon de Magalhães Viana e Sérgio Piola.Os resultados foram muito interessantes. Afinal, o que pensa, em que acredita e o que quer essa gente?

Em linhas gerais, enfim, qual seria a proposta “ideal” ou imagem-objetivo que os entrevistados defendem, acreditam e apoiam em relação a tal objeto? Em primeiro lugar, defendem a integralidade, a universalização, a responsabilização individual e coletiva, o trabalho em equipe, além do compartilhamento de tarefas nas Unidades Básicas de Saúde. Reforçam a necessidade de que haja condições de trabalho adequadas para todos, seja em termos de formação e capacitação continuada, seja na disponibilidade de tecnologias e processos adequados às práticas de atenção básica. Acreditam na criação de carreira de Estado e na adoção do regime de dedicação exclusiva como as condições mais importantes para fixar os profissionais da APS/ESF em pequenas localidades e periferias das grandes cidades. São de opinião de que a contratação direta, com base na CLT, terá papel preponderante entre as formas futuras de contratação, deixando de fora as terceirizações e mesmo o regime fundacional, supostamente mais flexível, de contratação de pessoal. Aceitam a vinda de médicos estrangeiros para comporem as equipes de SF, mas não abrem mão da qualificação desses profissionais e do cumprimento dos dispositivos legais brasileiros em termos de revalidação de diplomas. Acreditam no trabalho em equipe, com respeito e valorização de todos os trabalhadores envolvidos, em regime de compartilhamento de práticas, tendo especificamente no ACS um colaborador estratégico, merecedor de melhor capacitação, no sentido de o exercício da delegação de 92 tarefas que recebe ser mais qualificado, evitando assim institucionalizar-se como mera visita domiciliar burocratizada. Defendem o conceito de porta de entrada da APS e a implementação de uma instância de acolhimento de pacientes e classificação de riscos nas unidades respectivas. Demonstram interesse em inovações dos processos de gestão e assistência, traduzidas, por exemplo, pelos instrumentos de gestão da clí- nica e pelo planejamento participativo, a serem incorporados nos processos de treinamento desenvolvidos para as equipes, bem como aceitam os processos de avaliação de desempenho das equipes e o trabalho mediante metas e incentivos para alcançá-los. São pessoas críticas, mas sem perder o caráter construtivo, tendo como focos principais de suas preocupações a insuficiente capacitação das equipes, o financiamento deficiente, a falta de compromisso político e a falta de maior empenho na capacitação dos gestores. Acreditam, por fim, que a Estratégia de Saúde da Família tem um futuro produtivo e exitoso em termos de mudanças do modelo assistencial no SUS e no atendimento resolutivo às necessidades básicas da população.

Os que se interessarem pelo texto completo, cliquem aqui 02_EstudoDelphi_

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