Impixe: há remédios muito piores do que as doenças que pretendem curar

MEIDICAMENTOSEssas são reflexões à beira do abismo…

Começo pela recente liberação da tal fosfoetanolamina, por dona Dilma. Dizem que isso faz parte dos esforços anti impixe. Não duvido. Há coisas até piores acontecendo. Mas isso me parece um risco muito grande, para não dizer simplesmente irresponsabilidade, ou IRRESPONSABILIDADE, para dar a devida proporção ao problema. O remédio não foi liberado pela ANVISA e lá vem sua liberação por conta da vaca sagrada que atende pelo nome de governabilidade. É mole? Não é mole não, é apenas final de festa…

Mas qual será o tamanho, mesmo, desse abismo prestes a nos devorar?

O abismo se abrirá com a aprovação do impixe? Certamente.

O abismo se fechará ou recuará se o dito cujo não rolar? Tampouco…

O que aguarda a Nação a partir do domingo, 15 de abril de 2016, faz parte do terreno do insólito, do inominável, do indesejável. Mas, pensando bem, o pior já aconteceu. O governo – ou o que restou dele – já mudou de mãos e, se não estávamos em colo confiável, a partir de agora menos seguros ainda estaremos. Ou já estamos. Dona Dilma é tíbia, dura de cintura e não soube governar, mas e o que virá depois dela? Para dizer pouco: antevejo a ação da curriola, da corja, da horda, do bando de salteadores de beira de estrada, que fariam de Ali Babá, Lampião, Giuliano, Fernandinho Beiramar & Escobar personagens bonzinhos de Hans Christian Andersen. Porque no presente conto são duzentos milhões de almas (ou quase) colocadas em perigo.

E eu, confesso, parado à beira do abismo como estou (estamos), que tenho muitas dúvidas ainda. Mas, em compensação, sei de algumas poucas verdades…

Por exemplo, este impixe… que desfaçatez! Não é só uma questão de criminosos julgando justos (estes, afinal, nem tão justos são). Mas o modo como as coisas estão acontecendo. O Congresso Nacional leva anos, décadas às vezes, para aprovar leis que aprimoram o bem comum. As reformas essenciais, entre elas a reforma política, são objeto de meias solas superficiais, vulgares, que geralmente não mudam nada. Mas agora, que pressa em resolver algo tão sério! Que apelo á espetacularização! Que argumentos pobres! O país inteiro trocará a modorra de um domingo à tarde, o futebol e o Faustão habituais, pelo desfile dos palhaços declinando de olho rútilo e boca espumante (como diria Nelson Rodrigues) seu voto “pela democracia, pela moralidade, pela decência”. Agitarão suas fitas verde-amarelas e cantarão o hino nacional.

E se o tal do impixe não vier? Não importa. As chances do PT já se esgotaram. Antes oposição do que títere desses fisiológicos que restarão com ele, com Cunha e sua caterva fazendo o papel de paladinos da justiça e da moralidade. Nós não merece… Haja engov e plasil para suportar tudo isso.

Em tal cenário, a fosfoetanolamina é altamente simbólica e mesmo emblemática da situação presente, ao lembrar que um remédio pode ser pior, muito pior, do que a doença que pretende curar. Não apenas por prejudicar o paciente mas, no mínimo, por agir como placebo, mudando tudo para deixar as coisas como estão.

 

 

 

 

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3 comentários sobre “Impixe: há remédios muito piores do que as doenças que pretendem curar

  1. Perfeito seu texto, Mauro Marcio!

    Será que é a isso que chamam de “ingresia”?

    Aqui não tem to be or not to be (nem tupi or not tupi). Pessoas como o Rasputin Evangélico não têm dúvidas ou dilemas morais, sua certezas derivam do enredo que acólitos, também isentos de tais quesitos, compõem e se envolvem desde sempre.

    Muita saúva e muitos cupins-do-erário: os males do Brasil são centenários.

    Quem nos salvará de nossos salvadores?

    Seu texto vai pro meu blog, com as honras devidas. De acordo?

    Abraço, obrigado por compartilhar!

    FLAVIO GOULART

  2. De meu amigo VITOR GOMES PINTO recebi, como muita hona, o seguinte comentário:
    Parabéns pelo artigo.
    Pensemos mais um pouco: o errado, em relação aos deputados, era seu tradicional e anterior comportamento, e não o de agora. Estão decidindo rápido: ainda bem!!

    Há razões técnicas para o impeachment? Não se sabe. Mas é indiscutível que o roubo, o assalto aos cofres públicos foi real. A condução da Petrobrás à situação de mais endividada empresa das Américas, em tempo recorde, é real e é por isso que o povo entendeu que deveria fazer o possível para remover a presidente e seu grupo.

    Por último, ao que parece o próprio Lula se convenceu do seu irremediável erro de ter inventado a dona Dilma.

    Lamentavelmente não há melhoras à vista; todos têm muito medo da (atual) oposição e de seus economistas.

  3. Flávio,

    Parabéns pelo artigo.

    De fato, estamos na beira do abismo.

    Mesmo não sendo eleitor do PT, como eu gostaria de neste momento estar comemorando a redução do desemprego, a retomada do desenvolvimento, o controle da inflação e das contas públicas, a redução da violência e da intolerância, o aumento de recursos para a saúde e educação, ao invés de viver a angústia de estar na beira do abismo…

    Abraços do

    Pedro Tauil

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