Você conhece Bandeira de Mello?

PLANO PILOTOVocês são capazes de imaginar o sistema de saúde do DF como uma máquina lubrificada e bem funcionante, ao contrário da balbúrdia e do empurra-empurra que domina o terreno atualmente? Difícil, não é?

O contrário disso seria uma rede articulada de serviços, na qual as pessoas seriam (bem) atendidas inicialmente em Centros de saúde de seus bairros e s depois de serem avaliadas ou tratadas por médicos generalistas e respectivas equipes de saúde seriam encaminhadas aos serviços de emergência. E estes, por sua vez, não precisariam se ocupar da dissolução das filas contumazes, considerando que só teriam acesso a eles aqueles pacientes que realmente necessitassem de cuidados de emergência, já que teriam sido previamente acolhidos e orientados em unidades de menor poder tecnológico, mas de grande capacidade resolutiva. As pessoas seriam registradas e ficariam sob responsabilidade dos serviços locais de saúde. Quando mudassem de bairro, iriam naturalmente ao novo Centro de Saúde levar sua ficha para se inscrever e passar a fazer parte da lista de pacientes sob responsabilidade não só do médico de família como da equipe local. E os profissionais ganhariam adicionais em seus salários não pelo mero número de consultas atendidas, mas pela capacidade demonstrada em reduzir as complicações da diabete, da hipertensão arterial da vida sedentária, do tabagismo. E, principalmente, em função da avaliação positiva que recebessem dos que ali foram atendidos. E o sistema público poderia não ser  único, mas seria estimado e valorizado pelos que dele se utilizassem. Muita gente até deixaria de pagar consultas nos consultórios para frequentar naturalmente os Centros de Saúde.

Parece um sonho, não?

Mas este era o projeto dos anos em que nossa cidade foi concebida e erguida.

O sistema de saúde do Distrito Federal tem, em sua origem, um Plano Diretor de Saúde de autoria do médico Bandeira de Mello, que o propôs ainda em 1960. Nele, se propôs a criação de uma instância de gestão denominada Fundação Hospitalar do Distrito Federal (FHDF), subordinada à SES-DF e integrada por estruturas hospitalares de diferentes níveis de complexidade, além de uma rede de serviços básicos em todo o território, capaz de oferecer assistência àquela população de 500 mil habitantes que se julgava que o DF ia ter.

O Plano de Saúde Bandeira de Mello propunha ainda: (a) eliminação da multiplicidade de órgãos assistenciais; (b) distribuição de centros de saúde e hospitais por grupos populacionais; (c) redução do custo e aumento da eficiência dos serviços, resultante da concentração; (d) comodidade para a população, evitando-se deslocamentos; (e) livre arbítrio do usuário na escolha do médico que trataria da sua saúde; (f) pagamento aos médicos por produtividade; (g) regime de trabalho integral; (h) possibilidade atendimento médico a pacientes particulares; (i) participação da população na solução de problemas por meio dos Conselhos Comunitários de Saúde; (j) serviço de atendimento domiciliar a convalescentes, evitando-se a permanência em leito hospitalar.

O plano ainda estruturava os serviços com nítida separação entre as áreas de ação dos órgãos executivos e normativos. Propunha a centralização da orientação técnica e a descentralização dos serviços de saúde em três zonas: central, intermediária e rural. Foi imaginada, também, a construção de um hospital de alta complexidade, de onze hospitais gerais e seis hospitais rurais, circundados por Unidades Satélites. As diretrizes visavam a atender às diversas especialidades clinicas, estimulando a rotatividade de pacientes e reduzindo a permanência hospitalar.

Melhor do que isso só se tivesse acontecido de verdade, não?

Quer saber mais? Então acesse o link http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2009000600023&script=sci_arttext e leia o trabalho abaixo

Leila Bernardo Donato Göttems; Maria do Socorro Nantua Evangelista ; Maria Raquel Gomes Maia Pires; Aline Ferreira Melgaço da Silva; Priscila Avelino da Silva (Universidade Católica de Brasília; Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal; . Universidade de Brasília; Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte). Trajetória da política de atenção básica à saúde no Distrito Federal, Brasil (1960 a 2007): análise a partir do marco teórico do neo-institucionalismo histórico. Cad. Saúde Pública vol.25 no.6 Rio de Janeiro June 2009

 

 

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