A Besta está de volta? Ou quem sabe ela nunca foi embora?

LEVIATÃÉ só abrir os jornais que sua nefasta presença se nota. Temer diz que sua augusta figura é a garantia de estabilidade. Padilha se regozija com a morte de Zavascky, alegando que isso dará “mais tempo“ ao governo. Os “acidentes” nos presídios não podem afetar a vida do país, que precisa crescer com “ordem e progresso”. E a imprensa dá a sua colaboração, anunciando melhorias econômicas que ninguém conseguiu ver até agora.

Sim, é ela. O grande fantasma que ronda o mundo, especialmente presente no Brasil de hoje e de sempre.

Seu nome é: governabilidade. Para todos os usos, para quaisquer circunstâncias. Ao preço que for preciso pagar.

A governabilidade é a vaca, melhor dizendo a Besta Sagrada que ultimamente tem ocupado o lugar do bom senso, da ética, da respeitabilidade, da desvanecida credibilidade dos agentes políticos.

Seu curral está forrado por camadas de esterco… Mas não falta quem chafurde nele.

Como vivemos em um país que não é só o da piada pronta, mas também o do escândalo permanente e da mentira prêt-a-porter, aqui vai um texto meu de quase dois anos atrás, mas que lamentavelmente continua atual.

Afinal, você sabe o que é governabilidade?

<<Nos dicionários de política essa palavra significa algo como “dimensão estatal do exercício do poder, condições sistêmicas e institucionais sob as quais se da o exercício do poder, relações entre poderes, sistema de intermediação de interesses, além de arquitetura institucional”, constituindo também “um atributo daquilo que é governado, isto é, a sociedade”.

Na prática política brasileira tem significado diferente…

Millor Fernandes, sempre genial, inventou um dicionário especial, o “Dicionovário”, no qual você pode encontrar significados novos para palavras antigas ou mesmo significados ou palavras para coisas até então inexistentes.

Num suposto “dicionovário”, assim, a tal da governabilidade poderia ser algo como: investimento na capacidade de governar, através da ampliação de apoios materiais e simbólicos, realizada por meio de alianças que não afastam qualquer pessoa, grupo ou tendência ideológica, podendo ser celebrada, por exemplo, com o Cremulhão, com o Sarney, com o Barbalho, com o Cunha, com os Renans (pai, filho e demais), com o Não-sei-o-que-diga, com o Tinhoso, com o Capeta, com Demônio e o Diabo à quarta potência…

A conseqüência da tal “governabilidade” é clara. Já estava prevista num poema atribuído a Maiakowsky: Dona Dilma deixou que lhe pisassem o jardim noites sem conta. Depois lhe mataram o cachorro. Hoje se refestelam em sua cama e deixam meias e cuecas sujas pelo chão. E nem levantam a tampa da privada para mijar…

A “governabilidade” é a vaca sagrada dos tempos atuais no Brasil. Anda por todo lado, faz sua lambança e ninguém lhe contesta ou molesta.

Mas, sinceramente, acho que já é hora de ficarmos mais felizes tirando-a de nossa sala – a vaca, fique bem claro! Dilma que fique até 2018, afinal de contas foi eleita – não com meu voto! – mas respeitar a democracia é bom e eu aprecio.  >>

Nota a posteriori: Dilma se foi. Pensando bem, melhor que ela e muito melhor que Michel seria a convocação de novas eleições (mesmo com as bestas bolsonárias rondando o cenário).

 

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