Mais um que se vai…

BELCHIORDevo confessar que nunca fui um fã extremado de Belchior. Achava que ele era um bom compositor, com pérolas magistrais atiradas, aos poucos, na música brasileira. Mas não me parecia ter a genialidade de um Caetano, de um Chico, de um Gil. Talvez fosse um tanto de idiossincrasia minha, com aquela figura de cabeça grande (e chata), aquele bigode tão… latino-americano. Mas uma coisa é carta, ele deixou história. E relembro, especialmente, de uma de suas canções que estimo muito, que fala proustianamente de tempos perdidos, de noites que não voltam, de quintais e arvoredos da infância, da “grande dor das coisas que passaram”, como disse Camões. Salve Belchior, seu lugar está garantido.

Galos, Noites e Quintais

Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,
que hoje eu trago e tenho;
Quando adoçava meu pranto e meu sono,
no bagaço de cana do engenho;
Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus,
fazendo eu mesmo o meu caminho,
por entre as fileiras do milho verde
que ondeia, com saudade do verde marinho:

Eu era alegre como um rio,
um bicho, um bando de pardais;
Como um galo, quando havia…
quando havia galos, noites e quintais.
Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo
o mal que a força sempre faz.
Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais.

Escute aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8ylIy2yKI3I

 

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