De saúde e cultura

JecaTatuzinho4Belmonte

Há dias, o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, portador de um interessante estilo “deixa que eu chuto”, nas palavras inesquecíveis de Flavio Rangel, sobre o ditador Figueiredo, andou dizendo que um grande problema dos serviços de saúde é ter de atender as pessoas que, segundo ele, “fingem estar doentes”. Não sou de salvar a pele de autoridades, mas, dessa vez, acho que ele tinha até um pouco de razão, mas não soube como expressá-la corretamente. Aqui vai, assim, minha contribuição ao tema. Ministro, você me deve essa, ok? Que tal se para quitar a dívida me consulte a respeito deste “Plano Popular de Saúde” que o senhor está lançando?

Quando fui Secretário Municipal de Saúde, por duas vezes, aliás, em Uberlândia, recorri várias vezes ao argumento de que muitos dos problemas dos sistemas de saúde – no caso da cidade onde eu era gestor, de forma evidente – derivavam de uma cultura do usuário, que poderia se traduzir simplesmente por: “a saúde tem obrigação de me dar tudo que eu preciso!” E não importaria a dimensão e a natureza de tal necessidade – neste “tudo” estariam incluídos desde o desemprego até as desavenças conjugais. Continuar lendo “De saúde e cultura”

Jatene: mais um que vai fazer falta!

No dia 15 de novembro último Adib Jatene nos deixou. Natural de Xapuri/AC, ex-Ministro da Saúde, grande médico e humanista, criador da CPMF, cientista de renome. Ele trabalhou incansavelmente pelo SUS, defendendo com ardor o os medicamentos genéricos, o programa de combate à Aids, a estratégia de Saúde da Família, entre outros programas essenciais na saúde brasileira. Como cientista e pesquisador publicou mais de 700 trabalhos científicos … Continuar lendo Jatene: mais um que vai fazer falta!

“Cobertura” ou “Sistema” Universal de Saúde?

ENCRUZILHADACobertura Universal de Saúde (CUS ou UHC), nos termos propostos por OPAS, OMS e outros organismos internacionais é definida como a possibilidade de acesso amplo e equitativo às ações e serviços de saúde integrais e de qualidade, de acordo com as necessidades individuais ao longo da vida. O conceito inclui, também, a definição e a implementação de políticas e intervenções de natureza intersetorial, tendo como foco a atuação sobre determinantes sociais da saúde, de modo a fomentar o compromisso coletivo com a promoção da saúde e do bem-estar, com ênfase na equidade, com ênfase sobre os indivíduos e grupos em condições de pobreza e vulnerabilidade. Mas a recepção da proposta no Brasil e na América Latina está longe de obter consenso. Você saberá o por quê lendo todo o texto… Continuar lendo ““Cobertura” ou “Sistema” Universal de Saúde?”

O SUS e o bode na sala

BODE ORELLANADeu na mídia (ver link ao final deste texto) que uma pesquisa do Datafolha encomendada por entidades médicas revela que quase dois terços dos brasileiros dão nota menor que cinco à saúde no Brasil, seja ela pública ou privada. É duro, não é? Mas tem mais…

A pesquisa é nacional e reflete quase 2,5 mil entrevistas realizadas em junho último. Para cerca de 20% dos entrevistados, o atendimento no SUS merece nota zero; outros 18% deram nota cinco. Juntando os serviços de saúde públicos e particulares, os que deram nota zero chegam à quarta parte do total. Continuar lendo “O SUS e o bode na sala”

A morte de Eduardo

Morrer é sempre triste… Ainda mais aos quarenta anos, ou pouco mais. Pior ainda se a pessoa alcançada pela “Indesejada das Gentes”, como disse Manoel Bandeira, está repleta de planos, vivendo o auge de sua vida e de sua carreira, seja ela qual for… Assim se foi Eduardo Campos, cuja missa de sétimo dia foi celebrada ontem. Suas qualidades, certamente inumeráveis, estão sendo exaustivamente celebras … Continuar lendo A morte de Eduardo

“Mais Médicos”: áreas de sombra

ChiaroscuroO Programa Mais Médicos atende, é claro, a uma demanda da sociedade brasileira. Com efeito, se os médicos no Brasil têm sua proporção face à população não totalmente distante daquela de muitos países desenvolvidos, mesmo os detratores da iniciativa admitem que a questão da distribuição destes profissionais (bem como de outros da área da saúde) é extremamente desigual no país, com coberturas muito menores nas regiões e cidades mais pobres ou remotas. Deve se lembrado, também, que o programa, embora receba críticas pela sua atuação restrita em uma abordagem fortemente quantitativa, Continuar lendo ““Mais Médicos”: áreas de sombra”

De ornamentos, belezas e um pai orgulhoso…

NANDANanda, minha filha acaba de lançar o livro derivado de sua tese sobre “Urbano ornamento”, com foco nas grades metálicas que povoam as velhas casas de sua (e também minha) cidade, Belo Horizonte. Mas ela não fala só de estruturas metálicas, fala das pessoas que moram ao lado e dentro delas e também dos que as fabricam, com um recorte intimo e humano de tais objetos. É orgulho mesmo o que sinto. Ver minha filha quase sufocada num mar de gente buscando autógrafos (e eu nem pude falar com ela no momento, só depois…). Continuar lendo “De ornamentos, belezas e um pai orgulhoso…”