CPMF: Por que(m) os sinos dobram?

SINOSCPMF no cenário, de novo. Todos, ou quase todos, contra. Seria uma daquelas unanimidades burras de que falava Nelson Rodrigues? Mais uma, entre tantas outras?

Antes de prosseguir, o caso representa um bom exemplo de como andam as coisas no Brasil hoje. Para se ser contra ou a favor de alguma coisa, não carece ter argumentos, sejam eles inteligentes ou bisonhos. Não importa. Os posicionamentos políticos nascem, ganham corpo, explodem, criam adeptos e até mesmo refluem, como se fosse uma daquelas “olas” peculiares aos estádios, produtos de uma “inteligência” (ou nem tanto…) coletiva.

Os argumentos são nobres, ou pretendem ser… A questão central parece ser a da imoralidade, ou algo assim, de se criar mais um imposto. Mais um imposto! Algo que os governos – quaisquer governos – transformaram em seu exclusivo ofício,  algozes que são da massa trabalhadora do país. E assim não permitem que a economia cresça e que os abnegados empresários façam a sua parte para o bem do Brasil!

É bom que se diga: o santo nome dos trabalhadores é invocado em vão. Trabalhadores, principalmente os de baixa renda, não costumam usar cheques. E a CPMF é um tributo cheque-dependente, como todo mundo sabe.

Mais um imposto! A contrapartida é sabida e imediata: novas chances de encontrar a saída por meio da sonegação. Aliás, causa espanto no Brasil a desfaçatez com que os mais ricos, particularmente os agentes econômicos, possuem visceral ojeriza aos tributos, ao mesmo tempo, se revelando incapazes de se revoltar ou de pelo menos topar discutir seriamente a questão da sonegação. Boa medida seria a generalização dos “sonegômetros” ao lado dos “impostômetros” que as fiesps espalham por aí.”Impostômetro” é um bom nome, sem dúvida – representariam o que o Zé Simão chamaria de piada pronta…

A CPMF vai aumentar o custo de vida! É o que alguns gritam. Como se o custo de vida não aumentasse a cada dia, com ou sem CPMF. Um espirro na bolsa de Xangai, como se vê agora e, no momento seguinte. estamos fortemente gripados. E despenca a Bovespa, sobe o dólar e se acelera a inflação. Da mesma forma o lucro dos especuladores. Mas a culpa é do famigerado tributo.

Suponhamos que estes arautos da carestia estivessem certos… Nas duas ocasiões que a CPMF já existiu e depois caiu por terra, não seria normal pensar que a inflação diminuiria proporcionalmente à retirada deste fator que a agravaria tanto? Todo mundo sabe que isso jamais aconteceu. E o pior, ele que já estava incorporado ao custo dos produtos consumidos pela população, quando foi suprimido o adicional tomou apenas o rumo habitual na economia de mercado, ou seja, foi para o bolso dos empresários. Simples assim…

Mas falando sério… O problema verdadeiro não é o da inflação ameaçadora aos trabalhadores nem o da derrama promovida pelo governo. O problema real é a revelação do estatuto financeiro, via identificação de CPF/CNPJ, de quem movimenta dinheiro através da assinatura de cheques. Isso acaba sendo um indicador mais fiel da circulação de moeda do que as declarações de imposto de renda. Muita gente seria pega no pulo, com suas transferências financeiras para as quais o ideal seria que fossem não publicáveis e muito menos tributáveis.

Então vem a “ola”, levantada por empresários, repercutida pelo Congresso Nacional e que ecoa uníssona em toda a botocúndia: CPMF não! E gritam isso com os olhos rútilos e a papada trêmula, como descreveria um Nelson Rodrigues.

Mas é bom que não se isente o governo –qualquer governo! – de responsabilidade pelos descaminhos dos impostos, inclusive do aqui analisado. Para as equipekonômicas que se revezam na Esplanada dos Ministérios, CPMF é igual a dinheiro novo, a ser colocado onde houver buraco a cobrir, não necessariamente nos vácuos da área social ou do nosso pobre sistema de saúde.

Não perguntem por que ou por quem os sinos dobram… Eles dobram por esta vergonha que um dia, quem sabe, poderá ser chamada de País.

 

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