Em vão tomam Seu Nome

MOSHEDeus realmente está em toda parte… Haja vista as citações abundantes que nossos políticos fazem de Seu Sagrado Nome. O problema não vem de hoje, entretanto. Em 2005 tive oportunidade de analisar e criticar uma iniciativa dos excelentes vereadores de Uberlândia, cidade onde tenho raízes, tentando trazer Sua Divina Presença para a cidade. Pretensiosos, aqueles… Só mesmo uma infinita misericórdia para perdoá-los. Aqui vai….

EM VÃO TOMAM SEU NOME

Não dá para ficar de fora da polêmica que agita a cidade há alguns dias, sobre a inclusão da frase “Deus está aqui” como parte dos símbolos municipais, nascida a partir da proposta de um vereador ligado aos cultos evangélicos. Acrescentarei, neste artigo, alguns argumentos além daqueles alçados pelo Ministério Público e por outros setores sociais com os quais, diga-se de passagem, concordo inteiramente.

Invoco, como ponto de partida, as leis do país: nós cidadãos brasileiros temos liberdade constitucional para professarmos a fé que nos interessar, ou não professar nenhuma. Ninguém, além disso, salvo os representantes da lei humana – nos casos por ela justificados – pode nos constranger a fazer algo que não seja de nossa vontade.

Incomodam-me, entretanto (e sei que a muitas pessoas mais) certas situações particulares que nos têm agravado com freqüência e que recordam velhos tempos em que não havia distinção entre Igreja e Estado ou mesmo em que vigorava o imperativo medieval do “crê ou morre”.

Na Câmara de Vereadores de Uberlândia, a mesma que acaba de nos impingir a tal frase polêmica, assisti há alguns meses uma situação no mínimo constrangedora ou até ilegal. Foi por ocasião da posse da atual legislatura e do Executivo Municipal. Realizou-se, como de costume, um culto ecumênico. Ecumênico, é bom lembrar, etimologicamente, significa “aberto para o mundo inteiro”.

Na ocasião, um sacerdote católico e alguns pastores evangélicos se revezaram na condução do ato. Até aí, tudo bem. O problema, a meu ver, foi o caráter de hegemonia que os representantes evangélicos procuraram trazer ao momento. Ficamos ali uma boa hora e meia com 90% do tempo ocupado pelos pentecostais, que se alternavam no palco com brados de exortação e música, muita música (de gosto duvidoso, diga-se de passagem) – como se estivessem em um templo de sua religião e não em um ambiente laico e, ainda mais, participando de um ato convocado como ecumênico.

Aí, para mim, a coisa começa a complicar. Somos um país de maioria católica, é bom lembrar. Um ato ecumênico deveria obedecer, no mínimo, a um princípio de igualdade, para não dizer de equidade, caso em que os rituais católicos poderiam até prevalecer.

O fato, entretanto, não é isolado. Posso citar outros, que mostram a intenção de alguns grupos religiosos minoritários no País tentarem visivelmente impor sua fé aos demais. Vejam, por exemplo, o grande número de reclamações que se avolumam nas delegacias de polícia e órgãos municipais de fiscalização ambiental, denunciando templos evangélicos que realizam seus cultos com o uso de aparelhos de som ligados em altíssimo volume, atazanando toda a vizinhança, independente de sua posição ou crença religiosa.

Há alguns meses, em uma cidade vizinha, assisti algo insólito: um autêntico trio elétrico “evangelizava” ao ar livre, com centenas de decibéis instalados. Detalhe importante: o caminhão, de propriedade de um Pastor que também comandava a parafernália, estava estacionado bem defronte à Matriz Católica da cidade. E era Domingo, dez horas da manhã – hora de missa, como todo mundo sabe.

Resumindo, vivemos hoje no País, uma desagradável febre de imposição de fé aos outros. Isso não só é contra as leis como está em desacordo com as normas históricas de convivência democrática e cidadã. Parece até que alguns grupos desejam fazer do Brasil uma república balcânica, um Iraque, uma Irlanda, lugares de guerra religiosa permanente… Nem Deus, nem seu Filho – creio – ficariam felizes ao ver seus nomes tomados em vão dessa maneira…

 

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