A Natureza em Brasília (VI): um parque quase esquecido

Parque Ecológico do Lago Norte, também chamado do Parque Vivencial. Conhecem? Fica logo ali, depois da travessia da Ponte do Bragueto, na direção Norte, se estendendo por um bom pedaço ao longo da margem do lago. Costumo frequentá-lo particularmente aos domingos, para um bom passeio pedestre com minha cachorrinha Bustika. E me impressiona o pequeno número de pessoas que tem a mesma ideia, o que não deixa de ser uma vantagem, dada a tranquilidade que se desfruta por ali, mas, pensando bem, creio que o lugar talvez seja pouco conhecido e divulgado; quem sabe também porque os moradores de suas redondezas já desfrutam de áreas verdes de sobra, para precisarem visitá-lo. De toda forma, quando vejo o verdadeiro cupinzeiro humano em que se transforma o Eixão, a poucos metros dali, nos mesmos domingos, fico imaginando – e isso não deixa de ser uma constatação pouco lisonjeira aos meus companheiros de gênero e espécie – que talvez o ato de caminhar, se exercitar, tomar sol, espairecer etc para muita gente somente faria sentido se incluir também ver e ser visto. Mas deixando o mau humor de lado, o tal logradouro vivencial me preenche todas as medidas: ali tem mata (e mato), tem sombra, água, espécies do cerrado e da mata atlântica, vida animal, pescaria e sabe-se lá o que mais. E mais um aspecto essencial, que não tem a ver diretamente com a natureza, mas com políticas públicas: tudo aquilo fui por assim dizer resgatado das múltiplas invasões que os espertinhos proprietários de lotes nas QL logo à beira perpetraram ao longo dos anos. Um dia teve um mandatário mais cuidadoso, ou corajoso, que fez cumprir a lei – simples assim – mas uma vez sendo substituído (ou embargado, sei lá) entregou os pontos e deu por encerrado o processo de desapropriação. A verdade é que o bem durou pouco, em termos políticos, geográficos e cronológicos, de maneira que depois de não mais do que 3 km de caminhada a gente esbarra com uma proverbial cerca de arame farpado, no caso com incontáveis fileiras de tal artefato a nos barrar o passeio.

Entre outras curiosidades do Parque Ecológico, chama atenção a variedade da espécimens vegetais existentes próximo à linha d’água, onde vemos não só plantas do cerrado, típicas das matas ciliares, algumas até de grande porte, outras da mata atlântica ou mesmo amazônicas, junto com uma enorme variedade de exóticas, que incluem agaves, fícus de diversas variedades, fruteiras variadas, entre elas cítricos, mangueiras, jaqueiras, berries e outras. E por aí vai. Isso tem uma explicação: como tal faixa um dia foi uma sucessão de quintais privados, os antigos ocupantes (para não dizer invasores) plantaram ali o que bem entenderam. Mas tudo bem, nada contra; o que importa é que a tal área voltou ao domínio público e democrático. Do lado de lá das cercas cães inamistosos nos fitam e ladram burocraticamente, porém impotentes em nos fazer qualquer mal. Os humanos mesmo parecem todos recolhidos a suas mansões, aqui nestes caminhos com certeza, não aparecem, salvo engano.

Vamos então a um pequeno giro, com o auxílio “luxuoso” de fotos feitas por mim mesmo, nessa seca manhã do dia 6 de setembro de 2026.

 UMA DAS VISTAS DO LAGO AO LONGO DO CAMINHO

CAMINHO

BURITIS

CHICHÁ (XIXÁ?)

AS CAPIVARAS, AUSENTES NO MOMENTO, MANDAM LEMBRANÇAS…

IMBIRUÇU

LEUCENA, UMA PRAGA INVENCIVEL…

PAU BRASIL

QUARESMEIRA

ANGICO

LANDIM (GUANANDI)

 ATÉ MAIS VER!

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