A Natureza em Brasília (I): A exótica Fruta – Pão

É impossível a quem vive em Brasília não prestar atenção na natureza. Isso não é uma afirmativa vazia, pois em alguns lugares no país, mormente nas cidades grandes, tal contato, pelo menos de forma mais íntima, está ficando cada vez mais difícil. Com efeito, são muitos os cidadãos que abrem a janela de seus quartos pela manhã e só veem outras janelas; pegam o metrô e não vem nada, a não ser as luzes artificiais das estações; de seus carros só percebem os carros vizinhos; das janelas de seus ônibus, vias poluídas, favelas, edifícios, viadutos, e por aí vai. Aqui, não! (pelo menos no Plano Piloto e talvez em algumas das cidades mais antigas). A nossa boa mãe natureza se oferece a nós a cada eixo, a cada quadra, a cada recanto da cidade. Para não falar dessa maravilha a que chamamos “campão”, o vasto gramado, salpicado de árvores, com zero construções, que separa as superquadras no Plano Piloto. É um privilégio, realmente, do qual a maioria dos brasileiros não pode usufruir. Quem tem por habito percorrer tais espaços cotidianamente, como eu, sente-se tentado a divulgar suas sensações, registrando as muitas particularidades com que se depara, entre elas, a formação de estranhas confrarias de final de tarde, nos tais “campões”, a reunir humanos e caninos. Penso que uma coisa assim só existe por aqui em Brasília. Mas vamos ao que me traz a vocês no dia de hoje: estou iniciando uma nova série de textos a que intitularei A Natureza em Brasília, na qual pretendo registrar um pouco das minhas descobertas vegetais que essas caminhadas frequentes me possibilitam. Mas atenção, aqui não falará algum ambientalista, botânico, biólogo ou urbanista, mas apenas um baita curioso. Atentarei, assim, pelo que imagino ser uma injustiça com a planta, por ser pouco lembrada ou por algum outro motivo que por ora não sei definir, quem sabe a simples   mais para a curiosidade que a planta me provoca, não importando se é autóctone, endêmica ou exótica.  Vou começar por uma das mais exóticas, por sinal: esta Fruta-Pão.  

Para começar, esta árvore me parece bastante rara por aqui, até hoje só vi dois exemplares, bem aqui meus vizinhos, na 315 Norte. Em toda a Zona da Mata do Nordeste, no Rio de Janeiro, na Bahia, no Espírito Santo ela parece bem comum, talvez pelo clima mais úmido e adequado a elas. Mas aqui no Planalto certamente ela comparece como uma verdadeira prova de resiliência. De saída, vamos lembrar que ela não é, rigorosamente, coisa nossa, mas sim originária da Ásia, das Filipinas ou sei lá de onde mais. Ah, sim: parente próxima da Jaca, esta sim, muito familiar e próxima a nós, abundante que é nas quadras de Brasília.

Vamos a ela, com o devido auxílio luxuoso de uma publicação da Embrapa (ver link ao final) e da Wiki. Para simplificar vamos fazer este registro a partir de pequenos textos em destaque.

  • A fruta-pão (Artocarpus altilis) é uma espécie frutífera cultivada em todo o arquipélago asiático e atualmente disseminada por diversas regiões tropicais. Na Polinésia, seu cultivo tem extraordinário valor, a ponto de responder pela sobrevivência de algumas comunidades.
  • Pertence à mesma família das jacas e das amoreiras (que contraste!), tendo seu nome derivado do sabor da fruta quando cozida.A árvore é gigante, podendo superar os 20 metros de altura e suas folhas são grandes e brilhantes, além de recortadas de forma muito estética (ver fotos). É considerada uma das mais importantes frutas alimentares do mundo, com elevado valor nutricional e energético, em termos de carboidratos.
  • Seus frutos são maciços, pesando entre 1 e 4 kg, com duas variedades principais, uma com sementes, que é menos comum, outra sem sementes, a mais frequente no Brasil. Não seria aconselhável estacionar ou mesmo descansar à sombra delas, portanto.
  • No Brasil praticamente não tem importância econômica, sendo cultivada apenas em pequena escala, desenvolvendo-se melhor nas regiões baixas e chuvosas, sendo bastante frequente em quintais da Amazônia e também na faixa litorânea.
  • A Fruta-Pão teria sido introduzida no Brasil no começo do século 19, através da província do Grão-Pará, proveniente de Caiena, nas Guianas. Consta, ainda, que ela tenha chegado ao Rio de Janeiro na época de Dom João VI, que por ela se interessou, na criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  • Atualmente ela pode ser encontrada em áreas litorâneas, desde o Estado do Pará até o norte do Estado de São Paulo, com maior presença nos estados da Bahia e de Pernambuco. Na Bahia, está dispersa desde o Recôncavo Baiano até a divisa com o Espirito Santo, numa faixa de 80 km a partir do litoral.
  • Rezam os textos consultados que a pouca expressividade do cultivo e do consumo da fruta-pão no Brasil deve-se à existência, entre nós, de diversos frutos e raízes com características alimentares semelhantes, tradicionalmente incorporados à dieta alimentar brasileira, como a macaxeira, mandioca ou aipim, a batata-doce o cará, o inhame e a pupunha.

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Saiba mais: Fruta-pao.pdf

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