A arte da perda

Quando as pessoas resolvem escrever suas memórias – e eu já o fiz – é natural que valorizem e deem primazia às coisas boas que lhes aconteceram na vida. Não fiz diferente em meus registros, mas ao mesmo tempo não deixo de imaginar como seria uma (auto)biografia em que alguém narrasse suas perdas, não suas conquistas.

Pus-me de fato a pensar nisso com mais profundidade quando li um poema de Elisabeth Bishop, poeta americana cuja vida teve uma passagem pelo Brasil, intitulado exatamente One Art, no qual ela confere à lida com as perdas um estatuto de sabedoria, ou mais: de verdadeira arte.

Tal poema magistral vai, ao final deste texto, acompanhado de uma talvez canhestra tentativa minha de traduzi-lo, não literalmente, mas sim, digamos, poeticamente. Que me perdoem os fãs de Mrs. Bishop se eu os traí, ou à verve poética da escritora americana.

Foi assim que, pensando a minha vida à luz das perdas que experimentei, cheguei à conclusão que nos anos 60 elas foram mais expressivas e marcantes.

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