Oferenda

DOCE DE LARANJAAlguns fariam poemas amorosos,
e eu próprio não me furto a tal ofício.

Outros mostrariam feitos corajosos,
ou quebrariam as barreiras do possível.

Há quem preferisse um duelo nas esquinas
e qual um bicho marcaria bem visível
seu lugar, seu território, seu pedaço.

Mas faço diferente em minhas oficinas
e não me pejo em trazer a teu deleite,
o produto original de meu mister.

Da terra nascido, no caótico pomar,
em que raízes trocam seus segredos.

É grande a lida até podê-la bem saber,
pois é fruta sumarenta e enredeira,
e ainda há por fazer, tão forte é o amargo.

Há que aprimorá-la, na crespa esteira
e na prima escaldação, como um batismo
e em águas móveis passá-la noite e dia.

Depois cozê-la, em brando e lento fogo,
com o açúcar a domar os maus espíritos.

Agora o temos, crescentes bem douradas,
em que calda  e resina finalmente
fazem a síntese boa e necessária.

É tal minha oferenda, e não te rias
se a um macho é estranho tal presente.

Um vero homem não deve carecer
de tais saberes. Antes, em tal área
é que de fato mostra-se mais macheza.

Ao invés de duelos e escaladas,
arroubos e tudo mais o que se arranja,
oferecer à sua amada toda a beleza,
de um ilustríssimo doce de laranja.

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