Hai-Kai-demia

Hai-Kai é coisa séria, bem o sei. Aprofundando meus conhecimentos sobre tal formulação poética vinda do Japão, descobri que tal conjunção, certamente representada por um ideograma, traz em si a combinação entre “hai” (brincadeira ou gracejo) e “kai” (harmonia, realização). Isso aí diz tudo sobre tal gênero, mas me chama a atenção estar incluído em seu conceito um componente lúdico. Com todo respeito é este que pretendo explorar agora, trazendo à luz algumas percepções que me traz frequentar uma Academia, no sentido físico-muscular, não na acepção que a que ela davam os antigos gregos.  Não posso negar que estar lá me traz um tanto de preguiça, desconforto e também galhofa, ao arrepio do que me recomendam os médicos. Entretanto, mesmo assim insisto: isso não poderia caber em uma pequena e despretensiosa série dos tais hai-kais?

Entre gemidos e suor profuso

Esgares e bundas no entorno

Me salva a marcha do relógio.

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Parado este relógio? Não?

Que ponteiro é este que aponta

Sempre a mesma direção?

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Do arm curl eu espio

Ela no spinning, rebolando.

E me vê, mal disfarçando.

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Suor, que do mal me afasta,

Exercício que salva a minha a vida.

São vãos. Existir já me basta.

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Mal frequento Academia,

Embora no fundo eu indague

Sem ela, pior estaria?

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Meu médico doutor Ivan

Que a isso me condenou,

Garantirá o amanhã?

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No pain, no gain: uma ova!

Viveria pouco ou muito,

Cumprisse ou não tal prova?

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Churchill estaria certo?

No sports! E eu, o que faço aqui?

Se busco outra coisa, decerto.

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Competir comigo mesmo,

Longe de mim os bombados,

Melhor caminhar a esmo.

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Nas Academias o que abunda?

Coxas, bíceps, panturrilhas

Mas, principalmente, bundas.  

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