A Natureza em Brasília (III): cercas que unem, ao invés de apartar
Estes meus textos sobre a natureza em Brasília, como já comentei, procuram de certa formar resgatar plantas geralmente pouco lembradas nas descrições paisagísticas que são abundantes por aqui. Mas tem mais, um motivo mais pessoal e até afetivo: muitas delas me provocam curiosidade, por algum motivo, não importando se é coisa autóctone, endêmica ou exótica. Assim, hoje coloco aqui em foco a cerca viva que separa o prédio onde moro na 316 Norte da Escola Pública vizinha. Quando comprei o apartamento alguém me alertou sobre o risco de ir morar bem ao lado de uma escola, um ambiente barulhento, segundo o prestimoso conselheiro. Mas qual! Nunca me importei, ao contrário, tenho a maior alegria em escutar em boa parte das manhãs e das tardes, aquela algaravia infantil, que bem me lembra o cantar alegre de um viveiro, como está na canção de Orestes Barbosa e Silvio Caldas. Mesmo quando o viveiro se agita, com um ilustre e ignoto tocador de berimbau, ao que parece um professor de artes, que acrescenta ao tal cantar o seu ritmo monocórdico. Eu achava aquilo meio chato, até meio destoante do ambiente, quando fui observar de perto a sessão musical e vi um bando de 20 ou 30 crianças absolutamente fascinadas com a marcação, acompanhando com aquela verdadeira dança que é a capoeira. Lembram do famoso Flautista de Hamelin? Pois é, só que neste caso, em total bom e harmonioso sentido. Empolgação em grau máximo e assim deixo o bom rapaz do berimbau perdoado de seu tom monocórdio. Mas eu falava aqui era de natureza, de outra natureza, por suposto. No caso, de uma cerca viva…
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