A Odisseia revisitada
Não. Eu ainda não fui assistir ao filme Odisseia, de Christopher Nolan, talvez por preguiça, porque filmes com mais de três horas de duração têm que me garantir qualidade e entretenimento totais para que eu me anime a sair de casa, enfrentar um shopping, talvez com filas ou engarrafamento, para não falar de eventuais multidões. Mas os temas ali tratados, sem dúvida, me interessam, se não à própria humanidade. A própria palavra “odisseia”, confesso que me chama a atenção há muitos anos, mesmo antes de compreender o exato significado de sua raiz grega. Eu fazia dela uma analogia com “ódio”, mas há muito descobri que não é disso que se trata. Sem dúvida, o tema narrado por Homero é particularmente provocativo, essa história de acontecimentos extraordinários, difíceis ou inesperados, sejam viagens, realizações pessoais, investigações, processos de aprendizado, superação de obstáculos – para o bem e para o mal. Assim, aprendi que uma “odisseia” pode não ser somente aquela narrativa de aventuras, mas também – e acima de tudo – uma metáfora de ousadias, resiliência, coragem e desenvolvimento pessoal. Daí, recorrendo a boa dose de coragem, resolvi cometer mais uma ousadia, a de colocar à luz uma daquelas famigeradas e (re)contadas histórias de segunda mão, com que volta e meio presenteio meus generosos leitores. Aí seguem, assim, as aventuras de Ulisses em seu retorno ao seu reino em Ítaca, ou melhor, de Ulício voltando a sua aldeia natal de Itacari, não mais nas ilhas gregas, mas nos sertões brasileiros, depois de alguns anos de ausência. Ao final um pequeno glossário explicativo.
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