A Natureza em Brasília (II): Paisagismo “naif”

Onde estariam os quintais em uma cidade como essa em que moro, com a presença tão marcante dos prédios de apartamento? Por incrível que pareça, a ideia de quintais e pomares não é estranha a Brasília. Eles podem ser vistos, de maneira mais óbvia, nos grandes espaços em que Burle Marx – deve ter sido ele – povoou de mangueiras. Quem sabe, foi ele também um nostálgico de pomares de infância? Viva as mangueiras, viva Burle Marx, mas são outros os pomares que me atraem aqui na capital do País. Estes não se exibem de imediato, tem que saber olhar para eles, meio tímidos e até envergonhados de sua modestíssima condição plebeia. Organização, composição paisagística, planejamento, são espécies que neles não floreiam e nem frutificam. Para vê-los, é preciso ir a pé pelo interior das superquadras onde estão bem presentes, exibindo abacateiros, mangueiras, pitangueiras, cítricos diversos e até bananeiras… De onde vêm? Será que alguém os planejou? Quem os plantou e cuida deles? Não parece ser por acaso que tais pomares modestos se situam nas proximidades da entrada do pequeno apartamento onde mora ou se abrigam os porteiros.

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