Respeito é bom (e a gente aprecia…)

DILMANão votei em Dilma Rousseff nas duas únicas ocasiões que ela foi candidata em sua vida. Tampouco em seus adversários principais. Mas nem por isso devo ser acusado de partidário ou simpatizante dessa excrescência da política brasileira que atende pelo nome de Eduardo Cunha. Parece óbvio dizer isso, mas no estágio atual de polarização vulgar que se vê no Brasil torna-se declaração imprescindível para iniciar qualquer conversa.

Quando falo de respeito, não se trata de respeito a mim, unicamente, mas ao bom senso, à racionalidade, ao esquecido espírito da democracia, à civilidade, às leis do país.

Já disse alguém: para governo ruim a solução é eleição. Simples assim. O óbvio só é revelado pelos verdadeiros profetas, como já dizia Nelson Rodrigues…

Eu respeito quem votou em Dilma, embora não tenha sido esta a minha opção. Eu respeito quem votou em Aécio ou qualquer outro candidato ou partido. Eu respeito quem deseja e acredita que um impeachment da presidente resolverá os problemas do Brasil, mesmo que esteja em inteiro desacordo com isso. Eu respeito os conservadores, assim como os ditos progressistas. Eu respeito os que discordam de mim, enfim.

Mas eu não consigo ter qualquer respeito por aqueles que acham que Cunha é o herói da vez, aquele faz a coisa certa; que é o preço a pagar, o mal necessário para livrar o país de Dilma ou do PT. Menos respeito ainda, ou nenhum, pelos que desejam a volta da ditadura militar. Da mesma forma, pelos picaretas safados do Congresso Nacional, de vários partidos, que de forma apalhaçada, apostam no incêndio do circo.  Aproveito para declinar meu respeito zero também por aqueles que, como no caso de muitos do PT, tentaram livrar a cara do Cunha para que ele, por sua vez, livrasse a de Dilma, dando no que deu. E não me esqueço dos muitos que sentam em cima da própria cauda para falar da dos outros…

Para esses últimos, declaro meu nojo e o exercício de meu direito de manter distância…

Vamos combinar algo em torno daquele óbvio mencionado acima? Alguém pode não gostar de Dilma, mais ao mesmo tempo rejeitar o golpe contra ela; achar que o Cunha é o lixo do lixo, mas nem por isso ser petista ou dilmista de carteirinha; reivindicar mais ética na política, sem que por isso seja considerado ingênuo ou irrealista; deplorar a tal da “governabilidade” de ocasião, digo de coalizão, que nos assola, sem ser considerado anarquista ou analfabeto político;  acreditar que está tudo uma merda, mas ao mesmo tempo ser capaz de ter algum otimismo em relação ao crescimento da consciência social e política no país, mesmo que seja no longo prazo; ser membro da classe média e mesmo assim aceitar e se regozijar que os mais pobres possam também usar aviões e comer filé mignon; acreditar que as unanimidades, mesmo as polarizadas em “isso ou aquilo”, são estúpidas e imprestáveis para o progresso das idéias…

Se quiserem, posso radicalizar minha antipatia pelo pobre pensamento de polarização barata que assola o país. Querem exemplos? Pensar que a chamada homofobia está longe de ser o principal problema do país, mas ter o direito de não ser rotulado de bolsonarista; deblaterar contra o bombardeio ocidental da Síria, mas pelo menos dedicar alguma palavra sobre as barbaridades do Exército Islâmico; defender a liberdade irrestrita de crença, denunciando ao mesmo tempo que o desrespeito a isso tem nome e endereço de origem no Brasil, ou seja, que o surto de intolerância (mais uma!) religiosa que está em alta no país é fruto exclusivo de um segmento, dito evangélico, neopentecostal, negocial… E por aí vai.

Finalizando: quero continuar debatendo política com os que comparecem ao meu blog, ao facebook e nas rodas de amigos. Mas só com os que fazem por merecer meu respeito, estejam do meu lado ou não. Mas aqueles da outra banda, que de forma desrespeitosa e irracional, impingem suas considerações obtusas, para não dizer simplórias ou mesmo mal intencionadas, – a estes, por favor, peço e insisto: caiam fora, me poupem de seu contato! Ou se preferirem, tomarei a iniciativa de detoná-los com o botão adequado, com o maior prazer.

Ok assim? Abraços.

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