60’s: a década que não terminou

Assim falou Zuenir Ventura desses anos que muito marcaram a vida política brasileira. Quanto a mim, no plano puramente pessoal, tenho a impressão que esses anos tiveram – ou têm ainda – duração inusitada, pois muito do que vivi e do que eu sou de fato, tem origem seguramente em tal momento. O mais significativo nessas vivências é o fato de que entrei nesses anos menino, de calças curtas, deles saindo quase médico e homem casado. Com efeito, me formei em 1971, ano em que igualmente me casei com Eliane, ou seja, um tempinho de nada depois que a tal década terminou. Para mim – e para todo mundo no Brasil – os anos sessenta começaram com a inauguração de Brasília. Já aí me vem uma recordação especial: entoando nosso hino, o “Rataplã do Arrebol”, nos arrancamos de BH em uma manhãzinha de abril de 1960. O caminhão Chevrolet tinia de novo (uma gíria da época) e levava nossa tropa, o Grupo Escoteiro do Colégio Estadual, para participar da inauguração de Brasília. Dentre nós, talvez, os mais viajados mal haviam passado de Lagoa Santa, ou adjacências, sempre em companhia dos pais. Mas teve mais, muito mais, a tal década: o golpe e ditadura militar, os festivais da canção, o surgimento de vários expoentes na música brasileira, a contracultura, o fenômeno Beatles – Rolling Stones, a chegada do homem na Lua, o início da derrocada dos conceitos tradicionais de família, comportamento sexual, posição subalterna das mulheres e dos jovens na sociedade, o uso ampliado da maconha, entre outros. Querem saber mais? É só prosseguir na leitura.

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