O SUS: dez teses na contramão

Em relação ao progresso do SUS, é cada vez mais preciso buscar novos caminhos, romper com crenças e dogmas, mesmo com relação àquilo que já é (aparentemente) funcional. Isso seria um imenso dilema, até mesmo um verdadeiro drama em determinados ambientes, como no âmbito das religiões e de instituições partidárias. Mas também entre a militância do SUS é mais ou menos assim que as coisas … Continuar lendo O SUS: dez teses na contramão

Saúde da família: flexibilizar sem perder a compostura

A rigidez estrutural da estratégia de Saúde da Família precisa urgentemente superar sua fase heroica de implantação, durante a qual ela talvez tenha sido necessária. A própria criatividade dos gestores da saúde já tem proposto inúmeras alternativas, configurando-se, assim, no País-real, não “o” PSF (único), mas muitos e variados PSFs. O grande problema, porém, é que tais variações nem sempre se estabelecem de forma consequente … Continuar lendo Saúde da família: flexibilizar sem perder a compostura

A questão médica

DR HOUSENo campo da saúde, os médicos representam um papel especial. Possuem liderança natural nas equipes multi-profissionais, mas às vezes se auto-promovem (no que são respaldados pela clientela) como a única profissão que realmente conta. Podem assumir papel especial de condução em processos de mudança, mas, por outro lado, costumam se colocar na defensiva frente a quaisquer transformações dos serviços de saúde, assumindo condutas imobilistas ou até passadistas. Em um caso ou outro, o peso de sua liderança é incontestável .

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Parto do pressuposto que existe, de fato, uma questão médica que desafia o setor saúde, no Brasil e no mundo.  Seus elementos gerais podem ser descritos como insatisfação salarial, busca de autonomia e mesmo de “soberania” decisória, defesa do interesse da categoria sobre o interesse geral (mesmo com um discurso contrário), indiferença ou mesmo oposição diante das propostas de mudança do processo de trabalho, proselitismo, auto-defesa, dominação exercida frente aos outros funcionários e usuários, manipulação mediante o poder profissional, etc.

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Contratar pessoas “por resultado” dá resultado?

burro e cenouraA contratualização de resultados (CR) é uma prática de gestão recente, adotada no âmbito das reformas gerenciais a partir dos anos sessenta e, desde então sua aplicação vem se fortalecendo como uma das estratégias para modernizar a forma de gerir a máquina pública. Por meio da contratualização, definem-se claramente os resultados a serem alcançados e os recursos e medidas ampliativas da autonomia necessárias para atingi-los. Assim, a contratualização de resultados permite um maior alinhamento à estratégia de governo, uma vez que há um direcionamento da ação dos órgãos e entidades na execução de suas políticas públicas. Ela se articula com a utilização de gestão que permitem aos diversos setores da administração qualificar os seus serviços para melhor atender à população frente ao governo. Ela vem sendo usada na saúde de maneira ainda tímidaLeia meu texto completo no link abaixo

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De saúde e cultura

JecaTatuzinho4Belmonte

Há dias, o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, portador de um interessante estilo “deixa que eu chuto”, nas palavras inesquecíveis de Flavio Rangel, sobre o ditador Figueiredo, andou dizendo que um grande problema dos serviços de saúde é ter de atender as pessoas que, segundo ele, “fingem estar doentes”. Não sou de salvar a pele de autoridades, mas, dessa vez, acho que ele tinha até um pouco de razão, mas não soube como expressá-la corretamente. Aqui vai, assim, minha contribuição ao tema. Ministro, você me deve essa, ok? Que tal se para quitar a dívida me consulte a respeito deste “Plano Popular de Saúde” que o senhor está lançando?

Quando fui Secretário Municipal de Saúde, por duas vezes, aliás, em Uberlândia, recorri várias vezes ao argumento de que muitos dos problemas dos sistemas de saúde – no caso da cidade onde eu era gestor, de forma evidente – derivavam de uma cultura do usuário, que poderia se traduzir simplesmente por: “a saúde tem obrigação de me dar tudo que eu preciso!” E não importaria a dimensão e a natureza de tal necessidade – neste “tudo” estariam incluídos desde o desemprego até as desavenças conjugais. Continuar lendo “De saúde e cultura”

“Cobertura” ou “Sistema” Universal de Saúde?

ENCRUZILHADACobertura Universal de Saúde (CUS ou UHC), nos termos propostos por OPAS, OMS e outros organismos internacionais é definida como a possibilidade de acesso amplo e equitativo às ações e serviços de saúde integrais e de qualidade, de acordo com as necessidades individuais ao longo da vida. O conceito inclui, também, a definição e a implementação de políticas e intervenções de natureza intersetorial, tendo como foco a atuação sobre determinantes sociais da saúde, de modo a fomentar o compromisso coletivo com a promoção da saúde e do bem-estar, com ênfase na equidade, com ênfase sobre os indivíduos e grupos em condições de pobreza e vulnerabilidade. Mas a recepção da proposta no Brasil e na América Latina está longe de obter consenso. Você saberá o por quê lendo todo o texto… Continuar lendo ““Cobertura” ou “Sistema” Universal de Saúde?”

O SUS e o bode na sala

BODE ORELLANADeu na mídia (ver link ao final deste texto) que uma pesquisa do Datafolha encomendada por entidades médicas revela que quase dois terços dos brasileiros dão nota menor que cinco à saúde no Brasil, seja ela pública ou privada. É duro, não é? Mas tem mais…

A pesquisa é nacional e reflete quase 2,5 mil entrevistas realizadas em junho último. Para cerca de 20% dos entrevistados, o atendimento no SUS merece nota zero; outros 18% deram nota cinco. Juntando os serviços de saúde públicos e particulares, os que deram nota zero chegam à quarta parte do total. Continuar lendo “O SUS e o bode na sala”

“Mais Médicos”: áreas de sombra

ChiaroscuroO Programa Mais Médicos atende, é claro, a uma demanda da sociedade brasileira. Com efeito, se os médicos no Brasil têm sua proporção face à população não totalmente distante daquela de muitos países desenvolvidos, mesmo os detratores da iniciativa admitem que a questão da distribuição destes profissionais (bem como de outros da área da saúde) é extremamente desigual no país, com coberturas muito menores nas regiões e cidades mais pobres ou remotas. Deve se lembrado, também, que o programa, embora receba críticas pela sua atuação restrita em uma abordagem fortemente quantitativa, Continuar lendo ““Mais Médicos”: áreas de sombra”