O Kosovo onde é mesmo que fica?
Tem coisas que não mudam nunca. Outras vão piorando a cada diz que passa… Há cerca de 20 anos escrevi um texto-desabafo sobre a guerra que então se travava entre a Sérvia cristã e a Província separatista do Kosovo, de maioria islâmica. A tônica do despretensioso artigo, que iria apresentar como trabalho escolar da disciplina de Filosofia da Ciência no doutorado em Saúde Pública da Fiocruz, era expor e deplorar mais uma manifestação da irracionalidade e intolerância humana. Tentei fazer um paralelo entre três situações distintas: o consumismo das classes médias e baixas no Brasil, a violência no futebol e aquela (mais uma…) guerra balcânica. Não sei se consegui ser bastante claro em meus argumentos, por isso acabei não utilizando academicamente o tal exercício. Aliás, ficou escondido por duas décadas… Ao relê-lo, por estes dias, percebi que talvez ele tenha significado ainda pois afinal, as guerras étnicas não acabaram, o consumismo disparou (junto com a inadimplência…) e o futebol atual ainda é este horror em que se combinam grana, violência e falcatruas diversas. Portanto, a meu ver, o artiguinho continua valendo… Leiam a seguir… Continuar lendo “O Kosovo onde é mesmo que fica?”

O assunto de que trata o título deste post, baseado em artigo do advogado Bruno Dantas (*) recentemente publicado em O Globo (ver link ao final), o qual, entre outros atributos é Ministro do Tribunal de Contas da União, remete a algo que infelizmente é comum nas práticas de governo brasileiras. Como diz o autor, quem deveria regular e gerir a coisa pública em nosso país acaba evitando tomar decisões inovadoras e realmente eficazes, por medo de ter seus atos questionados e ir parar na cadeia. Ou ainda pior do que isso: protelar e deixar de decidir o que lhe é obrigação, por estar sempre aguardando um aval prévio dos egrégios Tribunais de Contas, o que configura um verdadeiro regime de terror e de confusão entre poderes, nada condizente com a verdadeira democracia.
Mil novecentos e sessenta e quatro: fatídico ano. No dia exato dos acontecimentos eu trabalhava em uma escola de datilografia (já fui professor desta arte, acreditem), que fez parte de uma das variadas tentativas de meu pai “abrir um negócio”. Eu escutava pelo rádio de uma sala ao lado os relatos da movimentação de tropas, com evidentes avanços dos mineiros do General Mourão sobre o Rio de Janeiro. Mas não me dava por vencido,
Grande Cony, que nos deixou nos primeiros dias de 2018 – ano que já começou mal… Entre suas grandes contribuições literárias está este hino ao pessimismo, “
Todo mundo conhece a indisposição que Carlos Drummond de Andrade demonstrou, ao longo de toda sua vida, em relação à exposição de suas questões pessoais na mídia. De certa feira, ele chegou a declarar ao Pasquim, ainda nos anos 70, que realmente não via graça nenhuma em dar entrevistas, visto que sua vida já era suficientemente contada e detalhada nas centenas ou talvez milhares de poemas e crônicas que tinha escrito, tudo extensivamente público e notório desde sempre.
Coisa boa quando a gente encontra na imprensa algo de que possa dizer imediatamente: mas é justamente assim que eu penso! Foi justamente isso que me trouxe o texto de Mariliz Pereira Jorge, na FSP do dia 12 de outubro de 2017, no qual a autora deplora aquela “tendência de as pessoas acharem que tudo é racismo, machismo, pedofilia, que tudo com o que não concordamos ou não entendemos deve ser repudiado, só faz com que os verdadeiros problemas se percam em discussões fúteis”. Isso valeria para propagandas na mídia e pelados em museus. E ela acrescenta, sabiamente: “enquanto isso, jovens negros continuam morrendo mundo afora, crianças são violentadas dentro de suas próprias casas”.