Ode a Manoel de Barros
de ares
de nuvens
de folhas
de pássaros
de flores
de bichos
de barros. Continuar lendo “Ode a Manoel de Barros”
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de folhas
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de bichos
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Seu Zé é analfabeto e mora longe da cidade, no fundão de Goiás. Para conseguir atendimento médico na sede do município, tem que pegar carona, viajar uma hora inteira e esperar às vezes mais de um dia inteiro fora de casa, alimentado a biscoitos de polvilho. Mas tem outro lado nessa história: seu Zé é aposentado pelo INSS, percebendo um dos tais “benefícios de prestação … Continuar lendo O Brasil é mais complicado do que alguns imaginam…
Sinceramente, quando constato, horrorizado, estas cenas que o cotidiano nacional nos oferece, por exemplo, de gente amarrada em postes, de mulheres sendo apedrejadas por suspeita de bruxaria ou, para “pensar grande”, na rendição incondicional do país aos ditames do lucrobol na versão FIFA, tenho um desânimo danado com este país. Mais do que nunca, vejo a ironia de Nelson Rodrigues, a respeito de nosso “complexo … Continuar lendo Sinfonia em ré…
Uma pergunta que às vezes me faço e estendo aos leitores com mais de 50 anos: o que você ouvia e curtia na década de 60? Beatles não vale, afinal de contas, todo mundo os ouvia, no Brasil e no mundo. E nem precisava gostar deles: o quarteto britânico nos era empurrado, ouvido a dentro, 24 horas por dia. Mas de minha parte, devo confessar … Continuar lendo Lembrando Leonard…
Já dizia Macunaíma: “muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são”. Para as formigas já se inventou uma série de armas devastadoras, frente às quais essas teimosas acabam dando um jeito de resistir e escapar. Mas sem dúvida a vida delas tem ficado mais difícil com os progressos da tecnologia agrícola, embora a gente dizer “progressos”, neste caso, não seja exatamente ponto … Continuar lendo Muita Saúva, pouca Saúde…
PROFECIA OU ANTECIPAÇÃO? Os Estados Unidos têm, pela primeira vez em sua história, um presidente negro, já em segundo mandato. Apesar de já decorridos cinco ou seis anos, isso ainda tem sabor de grande novidade. Curiosamente, entretanto, um escritor brasileiro fez tal previsão, há mais de 80 anos. Em 1926, precisamente. Naquele ano Monteiro Lobato lançou um romance – o único de sua carreira de … Continuar lendo A internet foi “antecipada” por um brasileiro, nos anos 20…
Todos têm tios. Jacques Tati tinha o dele, Tchekov curtia seu Tio Vanya; Guimarães Rosa imortalizou certo Tio Iauaretê. Mas o meu – ou melhor, o nosso (divido a honra com vocês) – modéstia a parte, é melhor e diferente desses todos. Um tio como poucos… Meu Tio, o Heraldo, o único – o dos Santos e dos Andrade… Para dar conta da multidão que … Continuar lendo Meu Tio, o Heraldo-etê
Dizia ele: “no final tudo vai dar certo; se não der, é porque não chegou o final”. A vida deu certo para Fernando Sabino, que nos deixou há quase nove anos. Como romancista, cronista, cineasta, amante da vida e das mulheres e, principalmente, amigo de verdade de muita gente boa, ele foi inigualável. E o final parece que não vai chegar nunca para este mineiro … Continuar lendo Quando eu crescer, quero ser Fernando Sabino…
(Nova fábula, com sabor antigo) Fui professor de Medicina por três décadas… Neste texto, escrito ainda na época de docente (da Universidade de Brasília), revelo alguns fantasmas que me assombravam… A aposentadoria também os aposentou de meus pesadelos. Mas certamente continuam presentes na vida de muitos professores e outras pessoas envolvidas com o ensino médico no país. Era uma vez um Reino, muito distante … Continuar lendo Phantasilia e Belgladesh
João Guimarães Rosa é autor que oferece inúmeras possibilidades de leitura. Até em matéria de doenças, médico que era. Em Grande Sertão: Veredas, por exemplo, existe todo um cortejo de entisicados, mofinos, leprosos, cegos e raquíticos, além de lunáticos. Um conto de Sagarana, que apresento aos leitores, traz uma interessante saga sertaneja, na qual a doença e a vingança da honra se misturam. O personagem central … Continuar lendo De papos e papudos