1964

Naquele abril de 1964, em Belo Horizonte e em muitas outras cidades do país, as aulas foram paralisadas e as ruas tomadas por tanques e uniformes verde-oliva. Eu, por força de estar há quatro anos no Colégio Estadual “Central”, já estava comprometido radicalmente com o contrário daquilo tudo. Às vésperas do golpe, eu e dois amigos de ingênua militância havíamos recebido a incumbência, sabe-se lá … Continuar lendo 1964

Dez anos sem Roberto Andrade

Anos 50. O homem louro e alto, para nós crianças mais alto ainda, grande como uma torre, nos trazia o cheiro de currais e as histórias de lugares de nomes sugestivos: Uberaba, Barretos, Areias. A cada ano éramos apresentados a um novo primo, quatro evangelistas, meninas com os nomes começados por “B” e mais. Anos 60. Os encontros nas Areias. Festas regadas a conversas, brincadeiras … Continuar lendo Dez anos sem Roberto Andrade

A filha de Seu Jorge (ou, O dia em que eu conheci Elke Maravilha)

  Anos 50, eu tinha nove ou dez anos e certo dia, ao chegar da Escola, dei com o inesperado na sala da casa onde minha família morava, no bairro da Lagoinha, em Belo Horizonte. Uma família inteira estava, por assim dizer, acampada ali, com malas, caixas e até mesmo sacos por toda parte. O pai havia saído para tomar providências, só o vi mais … Continuar lendo A filha de Seu Jorge (ou, O dia em que eu conheci Elke Maravilha)

O dia em que conheci Brasília

Entoando nosso hino, o rataplã do arrebol, de cujas palavras ignorávamos o exato significado, nos arrancamos de BH em uma manhãzinha de abril de 1960. O caminhão Chevrolet tinia de novo (uma gíria da época) e levava nossa tropa, o Grupo Escoteiro do Colégio Estadual, para participar da inauguração de Brasília. Dentre nós, os mais viajados mal haviam passado de Lagoa Santa, ou adjacências, sempre … Continuar lendo O dia em que conheci Brasília

Amigos

No remotíssimo ano de 1960 cheguei ao Colégio Estadual de Minas Gerais, nos altos de Lourdes, em BH, para assistir minha primeira aula no ginásio. Eu senti que haveria muitas novidades pela frente, a mais marcante delas, naquele momento de adolescência, pelo menos, era o de poder freqüentar aulas de calças compridas. No Grupo Escolar elas eram curtas…. Pois bem, devo ter chegado meio tímido, … Continuar lendo Amigos

Inesquecíveis anos 60

Quem passou pelo anos 60 (como eu) é impossível não ter ficado marcado pelos acontecimentos de uma época que teve Beatles, Che Guevara, Woodstok, ditadura militar, homens pisando na lua, jovem guarda, liberação sexual e tantas coisas mais… Nesta pequena memória, parte de um projeto pessoal, que me envolve como agente e minha família como receptora direta, conto um pouco de minha vivências naqueles anos. A … Continuar lendo Inesquecíveis anos 60

Um Pai por escolha

BRANDÃO(Dedicado à memória de José Garcia Brandão)

Do portãozinho do jardim, ainda o ouvi repetir: – que você seja feliz, que Deus lhe abençoe…

Entrei no carro depressa, com um certo pudor de que ele me visse os olhos molhados. E vim pela estradinha de terra, depois pela rodovia, gozando o privilégio de ter encontrado, em plena madureza, aquela especial figura de pai e amigo. Continuar lendo “Um Pai por escolha”

De quintais e pomares

 

POMARESTem lembranças que a gente traz da infância e carrega consigo pela vida a fora. Amigos, moradas, brinquedos, comidas, quintais. Comigo não é diferente, mas de uma dessas tantas coisas tenho especial lembrança – e acho mesmo que ao longo de
minha vida adulta não fiz mais do que tentar resgatá-la e reconstruí-la…

Falo dos quintais, ou melhor, dos pomares da meninice.

Em primeiro lugar, eles se faziam presentes por todo lado. Em um tempo em que os prédios de apartamentos não eram tão predominantes na paisagem, não era difícil dar de cara com um bom quintal, fosse no próprio fundo da casa da gente, na de parentes ou mesmo ali, do lado, na esquina, em toda parte, enfim.

Continuar lendo “De quintais e pomares”